Tenho absoluta  certeza de que para  o leitor que chegou até aqui, a pergunta que ele mais espera encontrar  neste capítulo é sobre quem, de fato, matou ou mandou matar os dois professores, pergunta esta que poderia ter sido respondida com relativo êxito pela Polícia e pelo MP, caso não tivessem atuado em conjunto ou talvez até mesmo em suposto  conluio  para tentar incriminar deliberadamente os acusados e inocentar as suas “testemunhas” Marcelo Caô e João D ‘Ajuda. .

 

Sim, se eles não tivessem decidido, ao arrepio da legislação penal e de tudo quanto fora investigado, incriminar injustamente Edésio, Pequeno e os PMs, com uma tese no mínimo mirabolante e surreal, as famílias e a sociedade porto-segurense  já teriam esta resposta e a verdadeira justiça possivelmente já teria sido feita há muito tempo.

 

idxkj.png

Antes de adentrar nas próximas e importantes  revelações, necessário registrar, a uma,  que no caso dos professores, somente duas pessoas estavam presentes na Roça do Povo por ocasião da tragédia, quais sejam, a mãe de Álvaro, dona Cida,  e seu irmão Eric, e que ambos ainda estavam em recintos diferentes, vendados,  não tendo, portanto,  presenciado como de fato  ocorreram as duas  execuções. Ponto.

 

A duas que, como não sou clarividente e muito menos onipresente, bem mais do que apontar  quem foram os possíveis assassinos, este trabalho visa primeira e necessariamente provar muito mais quem não matou ou não contratou os crimes, do que quem  teria de fato contratado ou matado as vítimas.

 

Nesse sentido, podemos assegurar, com 100% de certeza ao leitor,  apenas quem não matou ou quem não contratou. Abade, Edésio, Pequeno e os policiais é que nunca tiveram nada a ver com as duas mortes. Agora, quem realmente foi o responsável pela chacina, aí são já outros quinhentos. Caberia à Polícia e ao MP esclarecer,  e não culpar inocentes ou tentar jogar a sujeira para debaixo do tapete.

 

Por uma questão de honestidade moral e intelectual para com o leitor, informo que na verdade existem duas versões sobre os crimes, as quais, se observadas detalhadamente, podem, ao menos em parte,  estar entrelaçadas e encaixadas num mesmo sentido e autoria, sobretudo em relação às mortes de Pequeno e seu algoz, Rodrigo Terceiro.

 

Perguntas sem respostas

 

 

Só não me proponho – nem poderia – responder à perguntas ou questionamentos  dos leitores mais incrédulos, do tipo “se fosse realmente um assalto, por que alguém iria chamar Álvaro, dizendo que seu filho estava passando mal?”, “isso não é normal num assalto” oucomo alguém iria assaltar um local tão pobre e sem dinheiro?,”  ou, ainda, “nunca vi ninguém assaltar sítios em Porto Seguro” ou até mesmo “mas os professores foram recebidos à bala  e nada lhes foi roubado, só pode ter sido execução e crime de mando”, ou outros exercícios de imaginação popular que não cabem no presente caso.

 

E só não cabem  por que ninguém sabe ou é capaz de imaginar o que se passa na cabeça de um líder de um grupo de assaltantes drogados e, mesmo que os fatos fujam ao, digamos, relativamente normal, estas perguntas por si só, mediante tudo que aqui foi relatado e o mais que será revelado, não são capazes sequer de se presumir sobre a possibilidade ou não dos acusados terem participado das mortes. Do contrário, permaneceríamos no campo do mero achismo ou das ilações provenientes do disse me disse, concorda?

 

 

Não, acredite, os acusados não participaram dos crimes dos dois educadores. Simplesmente impossível. Isso eu posso garantir com 100% de certeza. Essa possibilidade simplesmente não existe. Se alguém ainda tiver dúvidas, por favor, que volte atrás e  que releia os  depoimentos e nossos relatos anteriores com calma. Reflita, pense e veja   se existe uma explicação e uma compreensão  razoavelmente lógica e diferente sobre o que possivelmente aconteceu. Repito: meras ilações  ou suposições não são suficientes para incriminar ou inocentar  ninguém. É preciso base mínima de autoria, e que certamente não pode ser embasada somente nos testemunhos de dois traficantes e homicidas.

 

 

Mas quem por acaso tiver outra tese relativamente convincente, o espaço, repito, está e sempre estará aberto. Prometo, repito,  publicar qualquer tese contrária a este blog e a contrarrazoar de forma evidentemente fundamentada.

 

 

Primeira versão 

 

 

Confesso que, após mais de 15 anos de investigações e confrontações de várias testemunhas e depoimentos,  esta é a versão que, particularmente, mais acredito, quase que piamente, embora não possa duvidar ao menos de pequena  parte da segunda versão. Não sobre a autoria dos crimes de Álvaro e Elisney em si. Para mim,  quanto à autoria destes crimes não existem maiores dúvidas – principalmente em relação à inocência dos acusados - mas sobre as mortes de Pequeno e do seu executor, Rodrigo Terceiro.

 

 

Ela se baseia, repito,  na forte crença de que teria sido um assalto, no qual houve reação e luta corporal entre os  professores e os supostos assaltantes. Nervosos e surpresos com a inesperada reação, além do fato de estarem extremamente drogados, os assaltantes, no desespero,  teriam  atirado, entrando em pânico logo a seguir, quando o líder teria gritado “sujou, sujou, vaza, vaza...”.  Tal reação é própria, em tese,  por parte de quem não queria na realidade matar, queria apenas assaltar, mas que diante dos fatos e da reação inesperada, apavorados, acabaram atirando e matando.

 

 

Esta tese vem corroborada fortemente pelo depoimento ao juiz da própria mãe de Álvaro, que afirmou que uma  enfermeira do hospital Luis Eduardo Magalhães teria lhe perguntado se Álvaro tinha se envolvido em alguma briga, em virtude de apresentar uma mancha roxa muito grande em sua região do saco escrotal.  

 

VEJA AQUI VÍDEO A PARTE QUE MÃE DE ÁLVARO FALA SOBRE  A POSSÍVEL BRIGA

 

 

Esta hipótese é reforçada também pelos depoimentos dela e de Eric, no sentido de que a todo tempo o grupo insistia e  pedia dinheiro, que a casa foi revirada, as roupas jogadas no chão e que eles diziam que Álvaro teria dinheiro, pois era presidente da APLB e que o sindicato tinha dinheiro em caixa. Além disso, os celulares dela e de Eric foram roubados. Isso está bem claro  nos depoimentos de ambos.

 

Matadores de aluguel não roubam ou pedem dinheiro. Muito menos, após revirarem a casa,  mandam chamar a vítima para ser executada. Pelo contrário,  se fossem matadores  profissionais, eles teriam aguardado e matado os professores ainda no portão do sítio.

 

Outro detalhe: matadores de aluguel geralmente  não agem em grupo, agem sempre sozinhos ou no máximo em dois, jamais em grupo de 4 pessoas, ainda mais estando drogados.  Pelo menos eu nunca ouvi nada parecido nesse sentido. A não ser que a vítima ande com escolta e seguranças, caso do delator  do PCC,  Vinicius Gritzbach, assassinado recentemente no aeroporto  de São Paulo por um grupo fortemente armado.  Dizer ou imaginar que seriam  quatro  os contratados para matar um simples professor – Elisney foi com o  amigo ao sítio sem querer - , ainda mais no meio do mato, não seria nada normal e foge completamente  à lógica e à  compreensão humana. 

 

O que se sabe e o que falta ser esclarecido sobre assassinato de empresário  pelo PCC em São Paulo

Matadores de aluguel só agem em grupo se a vítima andar com escolta armada, do contrário agem sozinhos ou no máximo com mais um elemento. 

 

Versão de assalto  esta que inclusive desmente, ao menos em boa parte, a acusação feita pelo MP, em relação ao fato dos professores terem sido vítimas de crime de mando político e recebidos à bala, tão logo chegaram ao sítio, sem possibilidade de reação ou de defesa, o que não acredito, vez que a própria Cida e seu filho disseram em seus depoimentos ao juiz que entre a chegada dos professores e o início dos tiros, não teria passado de “2 a 3 minutos”.

 

Ora, caro leitor, 2 a 3 minutos é o tempo de um round  de uma luta de boxe ou de MMA, ou seja,  tempo mais do que suficiente para uma possível reação dos professores e suas execuções. Ou não? Tente, por exemplo,  imaginar o que é possível se fazer em 2 ou 3 minutos e tire suas próprias conclusões.

 

Essa possibilidade  desmente totalmente a tese de execução sumária e sem possibilidade de reação ou de defesa. Na verdade, os professores não foram recebidos à bala e foram  executados à queima roupa, houve tempo, em tese, para a reação, o que é, digamos assim, procedimento normal adotado por assaltantes. Quando a vítima reage, muitas e vezes é morta. Simples assim. Quem não sabe disso?

 

VEJA ERIC FALANDO SOBRE OS 3 MINUTOS ENTRE A CHEGADA E OS TIROS 

 

Outro forte motivo para crer que teria sido um assalto, foi o relato espontâneo – e ao meu ver insuspeito -  feito pelo elemento chamado Junior Barrinha ao juiz André Strogenski, em Santa Cruz Cabrália, após uma audiência, quando este teria sido interrogado pelo magistrado, tendo negado sua participação nos crimes num primeiro momento, mas, chorando muito, já na viatura, teria pedido para voltar a falar com o juiz, quando teria confessado a sua participação na emboscada, junto com um tal Cristiano do Gesso, seu irmão  e mais um  outro elemento que até hoje não nos foi possível  identificar. 

 

 

Aliás, Junior Barrinha não só confirmou  e relatou em detalhes ao juiz a sua participação nos crimes, como a relatou e confessou pessoalmente aos PMs Sandoval e Rodrigues, quando estes passaram a investigar as mortes dos professores, com Junior só não tendo sido preso pelos referidos policiais à época  em razão da decretação de suas prisões preventivas, as quais duraram nada menos do que  9 meses e 17 dias aos acusados.

 

 

Ou será que as importantes revelações e a recente confirmação de um juiz tem menos credibilidade que os três depoimentos absolutamente controversos dados pelos dois marginais, além dos depoimentos dos ex-vereadores que confirmam que o acordo entre o prefeito Abade e a APLB já tinha sido autorizado no mesmo dia das mortes dos dois professores? Afinal, matar por quê e para quê, se tudo já estava definido e, segundo os vereadores,  95% das reivindicações da classe seriam atendidas?

 

 

Perceba-se, agora, o porquê dos PMs não terem sido sequer ouvidos pelo delegado e pelos promotores durante as investigações, vez que, se depusessem, ainda mais  juntamente com o delegado Renato – outro que foi proibido de revelar suas investigações à Justiça -  desmentiriam e desmontariam  com relativa facilidade as frágeis e inconsistentes acusações.

 

 

Eu sabia há 15 anos

 

 

Eu, por exemplo, particularmente,   já sabia desta importante informação – de que tinha sido um assalto – e  que mudaria completamente o curso das investigações,   há quase 15 anos atrás,  e inclusive   relatei o fato pessoalmente ao delegado Evy em meu depoimento, mesmo que de forma extraoficial, vez que não poderia expor a mulher do magistrado, no caso a senhora Daniela Strogenski, e que casualmente e meio que sem querer havia me repassado a informação, em fato testemunhado pelo ex-presidente da Câmara Hélio de Paula.

 

 

Falando no ex-presidente, afora o delegado Evy e os promotores João Alves e Dioneles, os quais até compreendo o motivo de se negarem a falar sobre o assunto, ele foi o único das testemunhas, repito, que se negou a colaborar com esta obra,   se negando  a confirmar oficialmente neste livro  o importante  fato por ele presenciado,  por que, convenhamos,  dele não se poderia  esperar algo muito diferente.

 

 

Mas como o Dr. André, este sim, homem de quatro costados,  recentemente se dispôs a falar, demonstrando que acima de tudo  é um sujeito humano, justo e do  bem,  e que não deve absolutamente nada para ninguém, não vejo por que deixar de fazer tal revelação neste momento.  Claro que devidamente por ele autorizado. Mas que eu sabia das revelações feitas por Junior Barrinha há muito tempo, isso eu sabia, e as repassei integralmente ao delegado Evy, certamente o mesmo que foi feito pelo próprio magistrado.

 

 

Por que o delegado Evy não as considerou e preferiu manter suas insanas acusações, esee é um mistério que só ele e os promotores Dioneles e João Alves poderão revelar. Mas um dia, com certeza,  a própria vida e suas consciências e consequências haverão de  lhes cobrar essa resposta. 

 

 

Essa tese de assalto  também é respalda pela linha inicial das investigações, no sentido de latrocínio, que foi desenvolvida incialmente pelo delegado Renato Fernandes, confirmada pelo seu e-mail,  no sentido de que  as acusações contra Edésio e os PMs,   seriam “uma farsa montada”, e que foram reconfirmadas com a recente gravação do vídeo, e que ocorreu em fevereiro   de 2025.

 

 

ftyhuk.jpg

 

Veja o vídeo completo da recente entrevista com o delegado Renato que confirma nossa tese.

 

 

A possibilidade de assalto vem reforçada também pelo fato de que, à época, a quadrilha liderada por Cristiano do Gesso, Junior Barrinha e demais comparsas vinha se notabilizando pela realização de diversos assaltos, no mesmo modus operandi, qual seja, especializada em assaltar sítios na região, sempre bastante drogados, elementos estes com diversas tatuagens – Cristiano e Junior Barrinha possuem  várias – e fazendo uso de máscaras ou de camisetas a fim de esconder seus rostos e dificultar suas identidades.

 

 

A grande revelação confirmada pelo juiz André Strogenski

 

 

Conforme confirmado pelo próprio juiz André em sua recente revelação, esta quadrilha teria sido responsável por  pelo menos  4 ou 5 assaltos nos mesmos moldes, sendo eles realizados no sítio do falecido  Coronel Belcorígenes, localizado ao lado do Centro de Convenções,  e na casa do também já falecido  ex-vereador Tica, onde inclusive levaram seu filho como refém. Não por nada, preso em outra operação policial em Cabrália, sempre duro na caneta, o juiz André condenou Cristiano há aproximadamente 15 anos de prisão, pena já cumprida, estando ele em liberdade atualmente, segundo informações.

 

 

 

 

Pode, sim, ter sido um assalto, não tenho dúvida, mas, como eu não estava lá e ninguém mais viu nada, deixemos esta tese para o campo das possibilidades. Crime de mando é que não foi. E que Edésio e os PMs tiveram qualquer tipo de participação, muito menos. 

 

De acordo  com tudo que foi por nós investigado, o que é corroborado pelas revelações  do Dr. André, e que também é de domínio público entre policiais civis e militares, o líder da quadrilha que assassinou os professores, seria Cristiano do Gesso (de camisa azul, ao tempor que ainda não era tatuado) ao lado seu irmão menor de idade e que também teria participado do assalto.  

 

 

Outro fato que praticamente confirma e sela a versão do Dr. André é que casualmente o elemento de nome Júnior Barrinha, que teria participado do assalto, segundo relato de vários policiais, era o dono do Fiat Uno, de cor verde escuro, e que à noite parecia ser preto, que teria sido usado nos crimes.

 

Procurado para dar a sua versão sobre a sua suposta participação no caso, através de seu advogado, Eustáquio Júnior, vulgo Júnior Barrinha, que atualmente  encontra-se preso no Centro Penal de Eunápolis, cumprindo pena pela prática de outros crimes, negou categoricamente ter feito tal afirmação ao magistrado. Sua reação e negativa, diga-se de passagem, já era mais do que  esperada.

 

Isso por que, além da suposta  confissão ao  Dr. André, ele teria confessado informalmente  o assalto na Roça do Povo a outros policiais, todavia, alegando muito medo de ser morto por Cristiano do Gesso, associado à possibilidade   de ser julgado e condenado a até mais 30 anos de cadeia pelas mortes de Álvaro e Elisney, é evidente que ele iria negar.

 

Cabe ao leitor sensato refletir sobre quem teria mais credibilidade. O juiz, os delegados Renato e Rubem Patury, os advogados, vereadores e todas as demais provas e descobertas reveladas neste livro ou a palavra de um criminoso que já se encontra preso e que por óbvio não quer ver aumentada a sua pena? 

 

 

A segunda versão 

 

 

Outra versão e que não pode ser descartada de tudo, vez que em tese pode se encaixar e se entrelaçar ao menos em boa parte  com a versão apresentada pelo juiz André, pelo delegado Renato e pelo elemento de nome Junior Barrinha,    é em relação às revelações que me  foram feitas por uma conhecida advogada criminalista de Porto Seguro, e que conhece como poucos o submundo do crime.

 

Temendo pela sua vida e a de sua família, ela me pediu que seu nome não fosse revelado num primeiro momento neste blog, todavia, me garantiu que se for preciso prestará depoimento à Polícia ou em juízo, ou até mesmo se dispõe a testemunhar eventualmente perante um possível  júri popular,  para dizer e garantir tudo que me revelou no dia 21/02/2025 em sua residência. Como sou homem de palavra, evidentemente não revelarei seu nome.

 

 

Segundo esta advogada, tão logo o traficante Marcelo Caô – assim como o advogado Jarbas Abreu, ela garante que o apelido de Marcelo na verdade sempre foi Marcelo “Caô” e não Marcelo Caolho, por ele ser considerado no submundo do crime muito inteligente, mas um grande mentiroso  - foi preso, juntamente com João d´Ajuda, seu “correria” para a prática de crimes,  ela foi procurada pela então  esposa de Marcelo, de nome Joice, para fazer a sua defesa.

 

Confirmando a informação dada pelo advogado Jarbas e pelo advogado Rubem Patury, no sentido de que ambos foram impedidos de ter acesso às acusações e ao inquérito  policial que determinaram as prisões da dupla de traficantes – este entregue pelo delegado Renato, segundo ele,  junto com as escutas telefônicas  ao delegado  Evy, cujo inquérito simplesmente desapareceu, sendo os dois traficantes soltos  logo após acusarem Edésio e os PMs - esta advogada garante que foi procurada por Joice para fazer a defesa de Marcelo, já que o delegado Evy teria recomendado a Joice que não contratasse nenhum advogado de Porto Seguro, pois se assim o fizesse não haveria chance dos dois  marginais serem soltos. 

 

 

VEJA O QUE DIZ O ADVOGADO JARBAS ABREU SOBRE MARCELO 

 

 

Ainda segundo o seu relato, Joice – que até então não tivera mais contato pessoal com o companheiro depois dele preso, segundo a advogada  – teria lhe relatado que Marcelo estaria preso pelo fato de ter sido o mandante – ou até mesmo um dos executores - das mortes dos professores, cuja ordem de execução teria vindo de gente “lá de cima”, ainda segundo esta advogada, que seria  possivelmente o então chefe do tráfico do bairro Campinho ou até mesmo, ainda segundo Joice, por parte do ex-deputado federal Uldurico Pinto.

 

Essa última versão me parece também por demais fantasiosa. Mas pode ser que, de fato, Joice não tivesse maiores informações sobre o assunto e tenha feito tal afirmação para a advogada apenas por uma visão pessoal dela. Mas realmente não acredito nesta versão dada supostamente pela tal de Joice, ao menos em relação à autoria dos crimes. 

 

A justificativa seria que Abade teria mandado retirar a feirinha, ponto de tráfico de drogas altamente lucrativo para o chefão do Campinho, o que teria despertado a sua ira, com a ordem sendo dada para que Marcelo, que era obrigado a fazer o que lhe era determinado pelo “pessoal de cima”, caso quisesse continuar traficando próximo ao Hotel Casablanca, matasse os professores. Neste sentido, Marcelo, ainda segundo Joice, teria procurado e contratado elementos para matar o professor Álvaro e debitar sua morte na conta do ex-prefeito Abade. Ou ele mesmo poderia ter feito parte das execuções.

 

Outro que supostamente teria interesse na morte do presidente da APLB,  tese que particularmente também  não acredito, seria o ex-deputado Uldurico Pinto. Pelo menos,  ao que se saiba, os defeitos do deputado sempre foram outros.  Ele  realmente sempre foi meio louco e inconsequente, um sujeito inteligentíssimo, mas danado na arte de fazer maldades e coisas erradas na política.  

 

Mas daí a querer mandar matar um professor para jogar a culpa em Abade, convenhamos,  vai uma diferença muito grande. Quero crer que o ex-deputado não teve absolutamente nada a ver com o caso, apesar dele ter se valido da tragédia  para tentar incendiar a Câmara dos Deputados e detonar politicamente Abade, junto com seu sobrinho Ubaldino Júnior. Coisas da nossa  velha política,  suja e rasteira.

 

 

 

 

 

 

Faço os dois relatos, únicos que tenho e que acho razoáveis,  tão somente com o objetivo de oferecer ao leitor o benefício da dúvida sobre o que pode ou não ter acontecido na Roça do Povo. Nada mais do que isso.

 

Seguindo em sua narrativa, esta advogada, que ao final acabou não participando da defesa de Marcelo,  garante que Joice só não soube informar em detalhes quem teria sido o eventual mandante, mas que seu companheiro tinha sido preso por estar envolvido diretamente nas mortes dos dois professores. Seja como contratante, atendendo a ordem do “pessoal de cima”, ou até mesmo como executor.

 

Segundo Joice teria informado à esta advogada, Edésio, Pequeno e os PMs jamais tiveram qualquer contato com Marcelo,  que esta versão é absolutamente mentirosa, e que quem esteve na sua casa no dia seguinte à morte de Pequeno teria sido o delegado  Renato, atrás de Rodrigo. Até aí, normal, é claro que o delegado queria prender Rodrigo e sabia da sua relação com Marcelo, e que estava lhe dando proteção.

 

Inclusive, é bom que se esclareça que Marcelo só passou a fazer desta trama após a morte de Pequeno, na qual esteve envolvido diretamente, tendo partido deste fato o início das investigações, com escutas telefônicas autorizadas pela Justiça, e que resultaram na sua prisão, não só por envolvimento na morte de Pequeno – ele que teria cedido a arma e dado pó para Rodrigo cheirar – mas também na  morte do próprio Rodrigo.

 

 

A morte de Pequeno

 

 

 

Pequeno, ainda adolescente, foi acusado pelo MP e pelos dois traficantes e homicidas, Marcelo e João, de ser um "conhecido traficante e assaltante" em Porto Seguro,  sem qualquer tipo de prova que pudesse embasar as acusações. 

 

                                       

 Pequeno não registrava nenhum antecedente criminal até o dia de sua morte, quando foi assassinado por Rodrigo Terceiro, no Bar Brasileirinho. 

 

 

Sobre a morte de Pequeno, ainda segundo o relatado  por Joice à advogada, no dia da morte do ex-motorista de Edésio, no Bar Brasileirinho, minutos antes de assassinar o seu arqui-inimigo,  Rodrigo – que era considerado tipo  um irmão por Marcelo, segundo Joice  - teria ido à sua casa, sozinho, cheirado cocaína e, muito nervoso e indignado,  apanhado uma pistola de Marcelo , por ele autorizado -  voltando ao bar para executar o seu desafeto, sob os protestos desesperados de Joice, que gritava e lhe pedia que não fizesse aquilo.

 

 

Além de ter levado um tapa na cara de Pequeno dias antes, na barraca Porto Magia – ou Mamagaya – outro forte motivo para assassiná-lo seria que Rodrigo não admitia que ele, que morava no Mercado do Povo,  estivesse “tirando onda” e invadindo o território do Campinho, já que havia – e até hoje existe – uma clara divisão e rivalidade entre o pessoal do Campinho e o pessoal do Mercado de Povo.

 

 

Joice ainda teria afirmado  que Marcelo ficou  completamente enlouquecido e apavorado após a  morte de Pequeno, posto que,  além de ter cedido a arma e determinado a morte de Pequeno, Marcelo teria sido avisado pelos 'correrias' de Buiú, no sentido de que o chefão do Baianão não iria deixar barato  a morte de Pequeno, a quem Buiú prezava e conhecia desde criança, posto que ambos moravam na mesma rua.

 

 

Assim posto, Marcelo entrou numa verdadeira  sinuca de bico. Ou entregava Rodrigo Terceiro à Polícia,  para que ele fosse preso – e talvez confessasse que arma era de Marcelo e que a ordem teria partido dele -   ou entregava ele a Buiú e ao seu pessoal do Mercado do Povo, segundo Joice. Caso contrário,  ele certamente iria  morrer por ter contrariado Buiú, além do que haveria uma possível  guerra já anunciada entre as facções do Mercado do Povo e do Campinho, facção da qual Marcelo fazia parte. Desafiar Buiú, naquela época, era assinar sua sentença de morte.

 

 

Covarde e traiçoeiro 

 

 

Assim conclui-se que, para salvar sua própria pele, após mandar matar o ex-motorista, a escolha de Marcelo teria sido oferecer fuga para Rodrigo – que confiava 100% em Marcelo -  usando para isso um veículo Doblo, que teria apanhado Rodrigo  na casa de Junior, localizada no Campinho, e o levado para a Cidade Histórica, entregando-o de bandeja para o pessoal do Mercado do Povo executá-lo, como de fato foi executado.

 

Restando apenas  a dúvida se Marcelo o entregou de fato para o pessoal do Mercado do Povo ou se foi o próprio Marcelo, junto com João d ´Ajuda, quem o executou, para fins de Marcelo e João  não serem mortos pela turma de Buiú, um poderoso chefe do tráfico que, naquela época  tocava terror. Ou o cara obedecia ou morria. Não tinha para aonde correr.

 

Repita-se que todas  estas informações teriam sido supostamente  repassadas por Joice à esta advogada, sem a presença de Marcelo, o que confirma, ao menos em grande parte, como se deu ao menos as mortes de Pequeno e de Rodrigo. Ou seja, absolutamente nada a ver com as mortes dos professores ou com queima de arquivo, conforme sustentado pela Polícia ou pelo MP em suas teratológicas e fantasiosas acusações.

 

Nesse sentido, acredito que  foi bastante acertada a decisão do magistrado  André Strogenski quando, já juiz em Porto Seguro, tempos depois, tendo conhecimento de boa parte dos fatos, determinou a separação e o  desentranhamento dos dois processos – o dos professores e o  das mortes de Pequeno e de Rodrigo -  vez que não existe, de fato, nenhuma relação entre os quatro  crimes. Resumindo: uma coisa não tem nada a ver com a outra.

 

Marcelo entregou ou matou Rodrigo?

 

 

Como dito, por uma questão de respeito ao leitor e em nome do benefício da dúvida, assim como por uma questão de ética moral e intelectual, faço o registro das duas versões que, em tese, se mostram relativamente  plausíveis, embora eu particularmente defenda a tese de assalto seguido de reação e execução. Realmente não vejo como um traficante teria a ideia de mandar matar um professor apenas para incriminar Abade. Muito menos que Uldurico, por mais doido que seja, tivesse coragem para tanto.

 

Pelo sim, pelo não, não restam dúvidas, por menor que seja,  de que, seja lá quem for que matou ou mandou matar Álvaro -  Elisney morreu só por estar junto -  que Marcelo e João mentiram deliberadamente em suas três versões, absolutamente contraditórias, apresentadas à Polícia e  ao MP, que teriam manipulado os depoimentos e informações, segundo pode-se se depreender de toda a nossa narrativa.

 

Assim como não existem dúvidas de que ambos, Marcelo e João,  estão diretamente envolvidos ao menos nas mortes de Pequeno e de Rodrigo Terceiro, o mesmo acontecendo em relação à inocência dos acusados. Só quem não viu que os acusados eram totalmente inocentes em relação ao caso dos professores,  teimando em manter uma tese que não se sustenta a olhos vistos, foram os promotores, em especial o combativo Dioneles, já que João Alves, mais cauteloso, após observar em audiência as gritantes contradições apresentadas pela dupla de farsantes, traficantes  e homicidas, se retirou do processo.

 

 

Irmão de Pequeno confirma versão e defende PMs

 

 

Confirmando a versão de que foi Marcelo Caô quem de fato  realmente mandou matar Pequeno, seu próprio  irmão, o motorista Cláudio Carvalho dos Santos, o popular Nenê, que inclusive trabalhava com Abade e Edésio   na época e que  se encontrava quase que diariamente com os PMs acusados, alega não ter nenhuma dúvida quanto à autoria do crime, bem como defende publicamente todos eles. 

Nesse sentido, em recente entrevista para esta obra, Nenê afirmou categoricamente: "Eu e minha mãe acompanhamos  tudo o  que infelizmente  aconteceu com meu irmão. Quem deu a arma e mandou Rodrigo Terceiro matar ele foi Marcelo, por que meu irmão, dizem, teria se envolvido ou mexido com a mulher dele, o que lhe causou muita revolta e ódio, pois teria virado motivo de piada na malandragem. Marcelo também morria de ciúmes do meu irmão por causa da namorada de Pequeno, a Kely, e também uma amiga dela, a  Dani, por quem  Marcelo era apaixonado, mas que era apenas amiga do meu irmão. Mas Marcelo achava que meu irmão pegava as duas. Marcelo tinha muita raiva do meu irmão por causa disso. Além disso, Pequeno teria dado um tapa em Rodrigo alguns dias antes na Porto Magia, depois de uma discussão entre eles. .

Tudo isso eu revelei em meu depoimento ao delegado Renato em detalhes, aqui em Porto Seguro,  mas depois o delegado  Evy mandou me chamar para depor novamente em Eunápolis. Fui lá e expliquei tudo a ele e ele me pediu para não falar mais nada na Justiça e nem contar para ninguém, pois  ele iria prender Marcelo e foi por isso que Marcelo e João  foram  presos. Só que depois que eles foram presos, criaram essa história de envolvimento do meu irmão, de Edésio e dos PMs nas mortes dos professores. Tudo mentira, nada a ver, não aconteceu nada disso. Isso é uma invenção sem pé nem cabeça.  Quem bem sabe por que meu irmão morreu sou eu e minha mãe. Já há um bom tempo Marcelo vinha jurando meu irmão de morte e nós sempre falávamos para Pequeno ter cuidado, pois Marcelo era traiçoeiro e perigoso. 

Realmente não consigo até hoje entender por que a Polícia e o MP  não fizeram nada contra eles e por que eles foram soltos depois que inventaram essa história  toda, pois todos sabiam que Marcelo foi  quem mandou matar meu irmão e depois matou ou mandou matar Rodrigo. Isso tudo é um absurdo. Kelly e Dani até hoje não foram ouvidas pela Polícia e os assassinos do meu irmão foram protegidos e soltos pela própria Justiça. Na verdade. meu irmão nunca foi bandido,  era um menino bom, um jovem adolescente e nunca foi envolvido com drogas e outros crimes, mas ainda era meio   imaturo e metido a conquistador, além de ser corajoso e volta e meia se meter em algumas brigas. Mas coisas da idade, brigas de adolescente, ele nunca foi uma má pessoa....

 

 

Confiança e amizade de Nenê  com os acusados 

 

 

...Eu e minha mãe  temos plena convicção e absoluta certeza de que Edésio e os PMs jamais tiveram nada a ver com a morte dos professores ou com a  morte de Pequeno, até mesmo porque eu convivia quase que diariamente com eles, todos gostavam muito de Pequeno, ele era amigo e muito prestativo com as pessoas.  Tanto isso é verdade que eu e minha mãe  somos  amigos pessoais e confiamos  até hoje nos acusados. Essa história de queima de arquivo e envolvimento nas mortes dos professores é tudo mentira, nunca aconteceu nada disso. Imagina se eu continuaria sendo amigo e iria defender os policiais e Edésio se houvesse  a mínima possibilidade de alguns deles ter ao menos colaborado para a morte do meu irmão?..Jamais!..

 

...  Minha mãe sofre até hoje com as acusações maldosas e levianas feitas contra o  meu irmão, sem nenhuma prova,  porque a gente sempre estava de olho nele e  conhecia bem o seu comportamento. Nós jamais aceitaríamos que ele se envolvesse com nada de errado.   Ele não era e nunca foi nenhum assaltante ou traficante, sempre foi um irmão e um  filho bom e nunca teve uma passagem sequer pela Polícia, se tivesse nós saberíamos.

 

Não entendo e não sei por quê de tanta maldade no coração de quem acusou meu irmão de cometer crimes que na verdade  ele nunca cometeu. Meu irmão, coitado,  vivia duro, não tinha dinheiro nem para mandar arrumar  e retirar da oficina a moto dele, uma CG 125 velha, ele morreu com a moto na oficina por que não tinha R$ 400,00  para pagar o conserto, pois ganhava pouco e o pouco que ganhava gastava com as namoradas, a gente sempre estava socorrendo ele com algum  dinheiro. Como ele poderia estar envolvido com tráfico ou assaltos se nunca tinha dinheiro?  Espero que a justiça seja feita e a verdade seja restabelecida. Somos uma família pobre, mas honrada e de bem, minha mãe sofreu e  lutou muito para nos criar, nos deu uma boa educação e ver ela sofrendo e chorando até hoje pela morte e a injustiça que fizeram com  Pequeno me dói muito "

 

Perceba, caro leitor, que estas importantes e valiosas informações nos  foram prestadas por Nenê, irmão de Pequeno, e elas são merecedoras de todo crédito da nossa parte. Sim, quem nos revelou em detalhes  o mar de lama que se escondeu por trás das acusações contra o seu irmão e dos demais acusados, foi quem de fato viveu todos os momentos deste caso. Ou ao menos grande parte deles. 

 

Entendo que a Polícia e o Ministério Público, antes de me acusarem levianamente de estar praticando "advocacia midiática" ou estar publicando "distrações midiáticas" em favor dos acusados, possivelmente bancado por "altas somas  de  Abade",  deveria vir a público explicar aonde foi parar o inquérito policial, junto com as escutas telefônicas de Marcelo e de João,  autorizadas pela Justiça,   e que resultou na prisão dos dois traficantes e homicidas, e por que eles foram protegidos e soltos, mesmo tendo confessado ao juiz grande parte dos seus crimes. 

 

Embora ver quem de fato mentiu e que estava atrás dos holofotes da mídia? Garanto que eu é que não. 

 

Versões X evidências

 

Outras importantes revelações que convergem no sentido de explicar ao menos as mortes de Pequeno e Rodrigo Terceiro, sobre as quais não possuo a menor dúvida quanto às autorias, foram os depoimentos de Itamar, de Júnior e Danilo, os dois últimos acusados pelo MP de também terem sido os autores das mortes dos professores – aliás, em sentido contrário aos depoimentos de Marcelo e João em juízo – e que foram dados espontaneamente ao Jornal Topa Tudo à época, os quais foram discutidos e confrontados com vários advogados e policiais. Todos unânimes, aliás,  em afirmar que as três versões são verdadeiras.

Realmente, não restam dúvidas de que as duas mortes se deram, a uma, pelas desavenças e pelo ódio  pessoal de Marcelo e de Rodrigo contra o ex-motorista, restando claro que Marcelo ordenou a morte de Pequeno, na festa do Flamengo, no Bar Brasileirinho, fornecendo inclusive a pistola e cocaína,  e Rodrigo  atirou em Pequeno pelas costas, em um momento de distração. Ponto um. 

VEJA ABAIXO MATÉRIAS DO JORNAL TOPA TUDO E QUE DESDE AQUELA ÉPOCA DESMENTIAM CABALMENTE AS FANTASIOSAS ACUSAÇÃOS DO MINISTÉRIO PÚBLICO

  

 

dfhxsfxs.jpg

 

 

 

tde.jpg

 

 

WhatsApp_Image_2025-03-07_at_13.02.44.jpeg

 

 

WhatsApp_Image_2025-03-07_at_13.02.44_1.jpeg

 

 

A duas, porque, após a morte de Pequeno,  também restou bastante claro que Marcelo ofereceu cobertura para Rodrigo – ele próprio fez tal afirmação em seu depoimento - prometendo-lhe cobertura, mas que ao final, pressionado e com medo de Buiú, sabendo que inevitavelmente seria morto caso não cumprisse a ordem de entregar o amigo ao então chefão do Baianão, ou teria sido ele mesmo  e  João os assassinos de Rodrigo,  ou ambos  teriam entregado de bandeja ao pessoal do Mercado do Povo, que o teriam executado na Cidade Histórica, evitando, assim uma possível guerra entre as facções do Campinho e do Baianão. Ponto dois.

 

 

O difícil papel do juiz

 

 

Já o juiz Roberto, pessoa no meu entendimento bastante íntegra,  consciente e acima de qualquer suspeita, sob forte pressão popular e até mesmo possível abalo emocional – tanto que mandou, a pedido do MP,  soltar Marcelo e João no mesmo dia que pronunciou os acusados à júri popular,  ao mesmo tempo em que se transferiu para Eunápolis  - acabou infelizmente cometendo um erro bastante grave, cujas consequências ele mesmo deve avaliar. Eu jamais poderia culpa-lo por nada.

 

Acredito que ele errou não por falta de responsabilidade ou por maldade pessoal, jamais, eis que  trata-se de um magistrado de índole inquestionável,  mas sim pelas fortes razões e particularidades do caso. Como sabemos, errar é humano e não é pelo fato de simplesmente ser um juiz que uma pessoa não erra ou que não pode errar. Realmente, embora não concorde com a sua decisão de pronúncia, tenho profundo apreço e respeito pelo referido magistrado. O erro foi muito mais da Polícia e do MP do que dele, embora ele estivesse sendo constantemente avisado pelo jornal e por e-mails pessoais,  no sentido de que a acusação  era uma grande farsa.

Poder e responsabilidade 

 

Ser um juiz, que tem poder sobre as duas coisas mais caras e valiosas ao ser humano, que são o patrimônio econômico  e a liberdade pessoal, não deve ser  tarefa nada fácil, como me ensinava meu saudoso pai, cuja maior preocupação,  ao final da sua vida, bastante consciente e justo que era,   era ficar se questionando se, porventura, ele não teria sido responsável por alguma injustiça contra alguém inocente e que tenha eventualmente condenado.

 

 

A 1ª Vara da Fazenda Pública de Eunápolis, convoca os inadimplentes para a  regularização dos seus tributos | aGazeta Bahia

O juiz e professor de Direito, Roberto Costa Freitas Júnior,  é um magistrado de reconhecida capacidade moral e intelectual, acima de qualquer suspeita, mas, como ser humano, também é passível de erro.

 

Antes um culpado solto do que um inocente preso, dizia,  repetia e ensinava-me mil vezes meu amado pai, que sabia que, ao optar pela magistratura, jamais iria ser um homem rico. Meu pai, cujo nome completo  tenho a honra de herdar, era um menino pobre, humilde, filho de um simples ferroviário,  que começou sua luta pela vida   muito cedo, já aos 8 anos de idade, acordando às 4 horas da madrugada para tirar leite junto com seu padrinho Roberto Guindel, , depois ia entregar pães numa padaria,  até entrar na escola às 8 horas, nunca quis e não queria ser um homem rico, queria, segundo ele,  apenas poder viver em paz com a sua consciência e criar sua família da melhor e mais honesta forma possível. Foi esta a maior e praticamente única herança que ele deixou aos seus quatro filhos. Pensa num homem bom, humilde,  justo e honesto?

 

Espero honrar e conseguir ser ao menos 10% do grande homem que foi meu pai aqui na terra -  pelo menos em termos de ser verdadeiro e justo - um espírito consciente, maduro e bastante evoluído moralmente – mas evidentemente não perfeito – mas  cujos eventuais erros diferem significativamente daqueles que se vê na atualidade, sobretudo em termos de vendas de sentenças e favorecimentos aos poderosos de plantão.

 

Procurado para se manifestar sobre sua atuação por ocasião desta narrativa, o magistrado preferiu não se manifestar, atendendo, segundo ele, normas da própria magistratura. Compreensível. nem por isso ele perderia o meu respeito e total apreço. 

 

 

O e-mail do Dr. João Alves  

 

 

Importante registrar que todos os principais envolvidos nesta trama que resultou na verdadeira teratologia jurídica em que se transformou a acusação e a  ação penal, foram convidados a se manifestar sobre suas posições. Entendo como justo e honesto  oportunizar a todos   este inalienável direito.

Um deles foi o promotor João Alves, de Eunápolis, e que também assinou a denúncia contra os acusados, juntamente com seu colega Dioneles. Contatado através de e-mail, o Dr. João  também não quis se pronunciar sobre o assunto, alegando impedimento legal. Não deixa de ter certa razão, embora não esteja mais atuando no processo e nem deverá mais atuar. Se quisesse, acredito que até poderia falar. Até porque existem outras condutas  expressamente vedadas a membros do MP, muito mais importantes ou graves, que muitas vezes são ignoradas por alguns membros do Parquet. Mas,  a decisão é dele, e obviamente precisa  ser respeitada. 

Todavia, em nome da boa informação, não posso deixar de repassar ao leitor o conteúdo da sua justificativa na sua íntegra, onde ele tenta de todas as maneiras desqualificar a mim e as minhas “investigações”, além de afirmar que eu estaria atrás de promoção pessoal, fazendo espetáculo midiático, em busca de ganhos financeiros fáceis e sendo até mesmo bancado pelo ex-prefeito Abade e pelos demais acusados. Quem tem boca fala o que quer. E quem é promotor,  tipo Dr. João Alves, fala mais ainda. Fazer o quê? Faz parte. 

 

 

Total falta de respeito 

 

 

Veja abaixo o que disse o promotor, em 08/03/2025,  em sua resposta ao convite feito para se manifestar sobre este trabalho: . 

 

Caro Dr. Olmiro.

Pelo presente cumprimento Vossa Senhoria e, em atenção ao vosso e-mail, comunicando-me a existência de "investigações" suas sobre o caso do duplo homicídio que vitimou 02 (dois) professores, no município de Porto Seguro, tenho a enfatizar que fico admirado que o vosso trabalho como "investigador" e autor de livro - e proprietário de um blog - possa, com sucesso, substituir o trabalho técnico da Polícia Judiciária numa investigação de crimes, tidos como hediondos. 

A "modernização" das atividades judiciárias talvez possa até permitir que o caso se encerre sem qualquer tipo de julgamento judicial, pois vosso dedicado trabalho em descobrir a verdade real, pelo visto, pode até dispensar um julgamento que seria, normalmente, realizado pelo Tribunal do Júri.

Os livros sobre os casos oriundos de processos criminais são, normalmente, apresentados após o julgamento definitivo ou arquivamento do respectivo processo. Mas, Vossa Senhoria, com a agilidade que sempre o norteou, optou por antecipar o desfecho processual, "advogando midiaticamente" para uma das partes - os acusados.  Talvez, o vosso trabalho possa até dispensar a necessidade dos acusados contratarem advogados para as respectivas defesas, o que seria uma situação inovadora no âmbito do processo penal. 

 

Vossa Senhoria se refere a "versões" dos crimes, as quais farão parte de seu livro. Neste sentido, é bom lembrar que o conteúdo de um livro permite o seu autor navegar na ficção, pois a verdade não costuma render a mesma atenção midiática que se espera.

 

Em tema de "versões" cada pessoa ou parte pode ter a sua, porém não pode ser esquecido o fato de que uma das "versões", a que mais retumbou entre os cidadãos de Porto Seguro, é a de que o mandante daquele duplo homicídio seria um ex-prefeito da cidade, o qual estaria pagando altas somas de dinheiro a donos de blogs para criar distrações midiáticas, além de comprar a intervenção de autoridades públicas para obtenção de sua própria impunidade.  

 

 

Como dito acima, as versões "literárias" ou de conveniências são as mais variadas, por isto a necessidade de um processo penal para afastá-las ou, ao contrário, comprová-las. No entanto, em livros e blogs a ficção pode ultrapassar a verdade, pois,  diferente do que ocorre no processo penal, a intenção de um autor de livros é sempre comercializar o seu trabalho, com a maior rentabilidade possível. 

 

Com estas simplórias observações,  desculpo-me por não poder colaborar mais, isto por uma questão de natureza ética, e de orientação institucional, já que sou orientado pelos órgãos correicionais da minha instituição a abster-me de dar entrevistas em casos que possam influenciar o julgamento que se encontra em curso. Esta orientação institucional deveria valer para qualquer autoridade pública que coloque a sua instituição em primeiro plano.

 

Desejo-lhe, no entanto, boa sorte no seu empreendimento, e que seu livro possa ser bastante comercializado, rendendo-lhe o retorno patrimonial que espera, isto devido aos vossos esforços, que, como mencionado, já atingem 15 (quinze) anos.

Atenciosamente, 

João Alves da Silva Neto

Promotor de Justiça - 1ª Promotoria de Justiça de Eunápolis/BA.

 

A minha  réplica

 

Já há um bom tempo incorporei ao meu caráter o hábito de sempre procurar  colocar princípios acima de personalidades.  Significa dizer  que procuro praticar a  honestidade, humildade, compaixão, tolerância e paciência com todos, quer goste de determinada pessoa  ou não. Colocar princípios acima de personalidades me  ensina a tratar todos igualmente, embora não seja tratado da mesma forma por alguns. Também faz parte. 

 

Significa também dizer que, buscando  colocar princípios acima de personalidades,  deve-se combater a mensagem, jamais o mensageiro,  e que é preciso dar prioridade aos princípios e valores éticos em relação às características individuais das pessoas. Eu pelo menos tenho procurado agir assim, seja com quem for. 

 

Data vênia máxima, a única coisa que posso afirmar em minha defesa, em relação   a este e-mail por demais provocativo, insinuante e até mesmo  desrespeitoso é que em minhas “investigações”, por mais de 15 anos,  eu realmente corri atrás, tentei buscar  a verdade e a justiça, o que entendo que o promotor João Alves  não fez. Eu ao menos agi com seriedade, respeito  e senso de justiça do início ao fim.  Ponto.

 

Já quanto a possibilidade do meu trabalho vir a substituir o “trabalho técnico” da Polícia Judiciária,  por uma questão de justiça e fidelidade aos fatos, eu até bem que gostaria, mas acredito que quem é bem pago – e muito bem pago por sinal  – para acompanhar de forma séria e  isenta  um inquérito policial  que investiga a morte de dois professores, na qual ele foi um dos que avalizaram as falsas acusações, é ele, não eu.  

 

Pergunto, apenas para expressar algumas curiosidades: por que ele não atuou com senso de justiça,  diligência e imparcialidade à época  dos fatos, baseando sua denúncia tão somente com base nas acusações de dois traficantes sem nenhuma credibilidade e visivelmente contraditórios em seus três depoimentos? Por que não se debruçou sobre o inquérito que resultou na prisão destes dois indivíduos e as escutas telefônicas feitas pelo delegado Renato? Onde foi parar, que fim levou  o tal inquérito e por que permitiu que os dois traficantes confessos, que alegaram comandar as polícias de Porto Seguro, determinando inclusive  a retirada das viaturas das ruas para praticar seus crimes, fossem soltos após seus depoimentos? Por que não considerou, em momento algum, os álibis dos acusados e seus bons antecedentes? Como ele prova que a arma de Caveirinha foi usada nos crimes do professores?  

 

 

E Abade?

 

 

Doutro giro, quanto à “versão popular” de que o ex-prefeito Abade estaria supostamente envolvido nos crimes, como sugerido recentemente  e claramente  em seu e-mail,  causa espécie, repulsa  e  estranheza que o referido promotor, que inclusive esteve em sua posse sem ter sido sequer convidado, segundo o ex-prefeito, tão combativo e metido a sabido que é,  não tenha denunciado o ex-gestor, preferindo denunciar apenas a raia miúda dos acusados. Afinal, presume-se que a  corda tinha que arrebentar, mas desde que fosse do lado mais fraco, né?

 

Só agora,  o   capacitado e combativo promotor  vem sugerir isso, mais de 15 anos depois? Por que será que ele não recorreu da decisão de pronúncia do Dr. Roberto em relação à não inclusão do nome de Abade entre os acusados, assim como Geraldo Caveirinha, papel que caberia ao MP? Logo para cima de mim, ilustre promotor? Aí também não, né? 

 

Quanto às minhas supostas “versões” e o exercício da “advocacia midiática”, informo que o termo “versões” foi utilizado apenas  como uma forma educada e ponderada  de não dizer, claramente, o que realmente penso sobre o assunto e a atividade dos dois promotores neste processo, vez que conheço muito  bem como as coisas funcionam em nossa justiça, ainda mais diante de autoridades que muitas vezes não atuam dentro da legalidade ou das quatro linhas. Gato escaldado em água quente tem medo até de água fria. 

 

 

Sigilo bancário

 

  

Por fim, quanto ao fato de eu  ser supostamente patrocinado por altas somas, através de  Abade ou dos demais acusados, para publicar “distrações midiáticas” a fim de possivelmente tentar confundir a opinião pública e proteger a " organização criminosa",  o promotor bem que poderia também ter investigado tal possibilidade à época do fatos e, se comprovada minha tentativa de distração e proteção indevida, ter me processado. Ou não? 

 

Inclusive,  eu mesmo, por conta própria, procurei o promotor Dioneles e autorizei a quebra do meu sigilo bancário. Mas, que não seja por isso,  ainda dá tempo de reabrir o debate e investigar a possibilidade.  A mim não me custa absolutamente nada. Quem sabe uma nova autorização da minha parte  possa ajudar o MP a tirar suas dúvidas novamentre e evetualmente reavaliar minha acensão patrimonial? Nesse sentido, é só me chamar a hora que quiser e pedimos, conjuntamente,  às agências bancárias e à Receita Federal,  as minhas movimentações dos meus últimos 15 anos. Ou eu mesmo requeiro e as envio ao referido promotor.  É só pedir. Quem sabe o Dr. João Alves não consiga finalmente realizar o seu grande sonho de me ver enrolado em maus lençóis? Bora, doutor? Podemos até apostar uma Coca-Cola. 

 

Apenas garanto ao leitor que não será por um e-mail visivelmente maldoso como o recebido, cujo objetivo claro é me desqualificar,  a mim e ao meu trabalho, que irei declinar no sentido  de levar à frente  minhas “investigações” e minhas “distrações midiáticas”. Com o devido respeito, este promotor que pense o que quiser de mim e, se tiver qualquer coisa contra  minha conduta, que aja. Se quiser pode até  mandar novamente o Gaeco me investigar, como o fêz  comigo há pouco tempo atrás, que fique à vontade. Quem não deve não teme, Dr. João! E eu, estando certo e em busca da verdade e da justiça, vou ter medo de promotor? Mas não mesmo. Respeito é uma coisa, medo é outra.