Mas eu também não sairia ileso de toda esta história. Quem mandou eu e o meu jornaleco desafiar o status quo vigente e todo poderoso? Em meio a um embate quase que semanal entre o jornal e o representante do MP, foi que uma grave acusação, proposta através de denúncia criminal assinada pelo promotor Dioneles, recaiu sobre mim, denúncia esta que teria sido formulada pelo ex-vereador Crisnandes Alves, político, convenhamos, de credibilidade bastante duvidosa, e que usou do oportunismo para tentar me desmoralizar e calar o Jornal Topa Tudo acerca de denúncias que vinham sendo feitas por seus tios e primos, no sentido de que teriam sido supostamente enganados e passados para trás pelo então vereador, em relação às negociações de terras da família Alves em Trancoso, no famoso caso da Ilha do Urubu, cuja batalha judicial se estende até os dias atuais.

A disputa judicial pela milionária Ilha do Urubu, em Trancoso, foi noticiada pelo Jornal Topa Tudo, revoltando o ex-vereador pelas informações prestadas e divulgadas por seus familiares.
A bem da verdade, a tais terras da Ilha do Urubu, adquiridas por duas vezes, de forma idônea e transparente pelo empresário Moacir Andrade, depois revendidas a Gregório Preciado e posteriormente ao belga Phillipe Meus, já foram pagas várias vezes à família Alves, embora alguns membros da referida família tentem tumultuar os inacreditáveis 48 processos existentes - que disputam a posse e a propriedade entre si - com pedidos que não se sustentam. Vou até fazer uma matéria isenta sobre o assunto, abordando todas as versões, assim que acabar este livro, para que os leitores vejam como age às vezes a nossa Justiça e, principalmente, muitos advogados, com as raras e honrosas exceções de sempre.
Na verdade, em relação à acusação leviana de Crisnandes contra mim, é preciso que eu esclareça ao leitor como os fatos realmente se deram. Sem tirar nem pôr. Afinal, acredito que quem não deve não teme e quem fala a verdade não merece castigo. Eu teria muita vergonha se os fatos não tivessem se dado exatamente da maneira como aqui relatado.
Importante também registrar que alguns relatos que faço de minhas desventuras, envolvendo Polícia, promotores e juízes, alguns até mesmo constragendores para mim e desconhecidos pela grande maioria das pessoas - sobretudo para meus familiares, a fim de evitar preocupações - antes de querer deslustrar tais autoridades ou instituições, são revelados como forma de mostrar como o nosso sistema judicial ainda funciona, além de revelar que não sou melhor do que ninguém em absolutamente nada, ou seja, sujeito a erros, defeitos e falhas, como qualquer uma das pessoas aqui retratadas. Que ninguém se sinta ofendido ou vítima de algum tipo de vingança ou contra-ataque. Os relatos visam apenas mostrar que, assim como eu bato, também apanho. E como dói apanhar, ainda mais sendo atacado pelas costas, de forma desleal ou indevida.
Pois bem, vamos lá.
Tudo começou quando certa noite recebi um telefonema do empresário Sergio Pessoa, meu querido amigo pessoal de muitos anos e que sempre me recebeu em seu hotel com a maior gentileza e carinho possíveis – o que é próprio dele para com seus amigos – pedindo, em nome de Crisnandes, que eu me dirigisse ao seu hotel, Quintas do Porto, pois o então vereador precisava muito falar comigo.
Já era meio tarde da noite, por volta das 22 horas, e ainda seria necessário atravessar o rio. Mas um pedido de Sergio eu jamais poderia deixar de atender. Sergio inclusive colocou sua lancha à disposição para me apanhar do lado de cá, como, aliás, sempre o fez comigo quando me dirigi ao seu hotel. Lá chegando, me deparei com a presença do advogado Cesar Oliveira, de Salvador, junto com Crisnandes e o empresário paulista Roberto Doro. Graças a Deus, estão todos vivos até hoje e certamente não me deixarão mentir. Aqui comigo é tudo preto no branco e não tem conversa mole ou mimimi.

O empresário Sergio Pessoa, do Hotel Quinta do Porto, sempre foi conhecido por receber bem os amigos.
Nada a esconder de ninguém, embora o sugestivo nome “JORNAL TOPA TUDO”, que a princípio nasceu destinado a ser um simples jornal de classificados e que com o tempo cresceu e tomou outros rumos e proporções bem maiores, desse naturalmente margem aos comentários sempre maldosos e depreciativos por parte dos meus desafetos. Qualquer notícia que desagradasse aos meus inimigos políticos ou editoriais, sempre era o tal Topa Tudo Por Dinheiro....
Segundo o grupo, todos meus amigos pessoais, exceto o vereador e que eu até então mal conhecia, Crisnandes precisava muito publicar uma importante matéria referente à milionária Ilha do Urubu, a qual ele estaria intermediando a venda para o belga Philippe Meus, cujo conteúdo, sinceramente, não me lembro mais os detalhes.
De acordo com Crisnandes, ele precisava publicar a matéria para obter êxito na negociação, a qual lhe renderia – só depois fiquei sabendo – algo em torno, salvo engano, de 5 a 6 milhões de reais e que, caso tudo desse certo, ele me pagaria pelo espaço publicitário, por ser matéria de interesse pessoal, o valor de R$ 20 mil reais , compromisso que ele assumiu perante todos os presentes, afinal, o jornal tem custos. Contudo, sem fixar prazo.
Para dizer bem a verdade, no fundo eu nem acreditava que receberia os 20 mil prometido pelo vereador, mas como Sergio, o maior gentleman que conheço, Cesar e Roberto estavam presentes e todos ficaram como espécie de avalistas, era aceitar a oferta e arriscar receber ou não. Simples assim. E eu aceitei. Mas confesso que não botei muita fé e sequer fiz planos com o prometido dinheiro de Crisnandes, até mesmo porque ainda dependia das suas negociações com o belga, as quais eu não tinha a mínima noção em que pé estavam.
Ora, só quem tem um jornal impresso com o custo e a tiragem que o meu tinha, com 5.000 exemplares semanais e mais de 10 pessoas envolvidas diretamente na sua produção, impressão e entrega, além de gastos com secretária, repórteres, contador, luz, aluguel e advogados, sabe quanto custa manter a estrutura que o Topa Tudo mantinha.
Finalmente, para que fique claro, negociar espaço publicitário não é realmente vender matéria ou ser venal, cada um tem o direito e pode pensar à vontade o que quiser sobre a minha pessoa ou conduta.
O pagamento de Crisnandes
Passados uns 3 meses, quando eu nem mais cogitava receber o dinheiro, recebi uma inesperada ligação de Crisnandes, dizendo que ele estava dentro do Banco Bradesco, perguntando se eu tinha conta lá – e eu tinha – porque ele finalmente havia feito o negócio com o belga e recebido parte do dinheiro, e que por isso estaria inicialmente depositando R$ 10 mil reais em minha conta, ficando de depositar a outra metade tão logo recebesse o restante.
Para mim, a partir deste gesto, conforme falei pessoalmente a Crisnandes, eu tinha finalmente conhecido um político relativamente sério e honesto, fazendo questão de cumprimentá-lo pessoalmente pela sua honestidade e o cumprimento da palavra empenhada. Realmente eu não esperava mais receber.
Ocorre que, feito esse depósito inicial de R$ 10 mil, Crisnandes simplesmente desapareceu do mapa e não me pagou o restante do combinado. Todavia, também não cobrei mais e nunca lhe dirigi um telefonema sequer neste sentido. Se ele disser que algum dia o procurei cobrando, com certeza estará mentindo.
Reviravolta no caso e a fúria de Crisnandes
Porém, passados poucos meses, fui procurado novamente pelo advogado Cesar Oliveira e que, junto com tios, tias e primos do vereador Crisnandes, se diziam lesados pelo mesmo, com pedidos para que fosse publicado matéria sobre o assunto, inclusive com graves acusações de uso de empresa fantasma e até mesmo de suposta falsificação de assinaturas por parte de Crisnandes ou por parte de prepostos dele.
Como editor e diretor do jornal, a princípio não vi maiores problemas na divulgação. As denúncias eram realmente consistentes e assinadas por boa parte da família, todos dizendo-se lesados e passados para trás por Crisnandes. Além disso, o assunto da venda da milionária Ilha do Urubu era palco de muitos comentários pelas ruas da cidade. Eu queria mais era vender jornal, ora bolas. Até por que Crisnandes havia recebido uma fortuna de uns 6 milhões de reais e sequer havia me pago o restante do prometido. Qual o compromisso moral ou pessoal que eu ainda teria com ele?
Foi só neste momento que eu soube e percebi, através dos tios e demais parentes do vereador, que eu também havia sido literalmente enganado pelo Crisnandes e que ele, segundo relatos dos seus familiares, tinha vendido a área por, salvo engano, 15 milhões de reais ou algo parecido, tendo repassado aos seus parentes uma quantia mínima, ou seja, algo em torno de 2 ou 3 milhões de reais, com o valor do lucro, uns 12 milhões de reais, sendo divididos entre ele, Gilmar Feitosa e o advogado Jarbas Abreu, um verdadeiro ninja à época. Realmente não lembro – passados 15 anos – exatamente, ao menos em detalhes, o teor das matérias e das acusações, mas foi mais ou menos isso o que aconteceu e que foi publicado.
Revoltado pelo fato de ter seu nome exposto pelos seus parentes, justamente no maior e mais lido jornal da cidade – sim, à época o TT fazia chover e eu não corria de nenhuma briga, ainda mais quando era ameaçado ou desafiado - Crisnandes procurou o MP, onde, descaradamente ou desavisadamente, afirmou – ou foi induzido a afirmar - que eu estaria tentando lhe extorquir dinheiro para não publicar as matérias dos seus parentes, fazendo-lhe inclusive diversas ameaças e chantagens.
A fama e a truculência de Bené Maruim
Para quem conhece o ex-vereador Bené, pai de Crisnandes, conhecido por sua então truculência, bravura e inconsequência, tido como completamente intempestivo e muitas vezes truculento em suas discussões, e geralmente andando armado – acho que hoje com a idade deve ser mais sereno - não preciso nem dizer que tudo era uma grande mentira do vereador.
Afinal, tentar extorquir justamente o filho de Bené Maruim não era para qualquer um e não seria um bom negócio para ninguém. Muito menos para mim. Quase, quase, que, certo dia, Bené partiu pra cima de mim na porta da Câmara de Vereadores. Pai é pai, né? Mas eu também estava preparado e não iria correr não, ele me encarou, me posicionei, ele parou, pensou duas vezes e desistiu da agressão. Ainda bem. Menos mal para ambos.
Mentira esta que, é claro, foi prontamente recebida pelo promotor Dioneles. Era tudo o que ele mais queria e mais precisava no momento para finalmente me desmoralizar publicamente e me ver preso, além de calar-me sobre as descobertas feitas pelo jornal no caso dos professores. E foi assim que fui denunciado pelo referido promotor, salvo engano, por 12 e reiteradas vezes na prática de tentativa de crime de extorsão contra Crisnandes.
Será que eu merecia passar por isso? Pois é, não sei, talvez até precisasse ser freado um pouco nos meus impulsos, via TDAH, mas passei. E não foi nada fácil. Não recomendo para ninguém. Vergonha na cara é realmente para quem tem, não para quem apenas a prega nas redes sociais.
Dias muito difíceis
Confesso que foram os dias mais difíceis de minha vida enquanto jornalista. Era Crisnandes e o promotor de um lado, me acusando de um crime que jamais cometi e sobre o qual a única “prova” relativamente razoável era o depósito dos 10 mil iniciais que havia recebido, e Ubaldino de outro, divulgando para a cidade inteira, através da sua rádio palanque, que eu finalmente havia sido flagrado pela Justiça em minhas trapaças e que em breve seria preso.
Tanto Dioneles, como Crisnandes e Ubaldino – que eu havia inclusive denunciado e sido um dos principais responsáveis pelo seu afastamento da prefeitura em 2003 - comemoravam a denúncia do MP e estavam definitivamente vingados. Para o trio, era apenas uma questão de tempo a minha prisão pelas supostas 12 tentativas de extorsão. Só Deus sabe o que passei naqueles dias.
Eles só não imaginavam que por trás do processo – e donos da caneta – haviam dois juízes que me conheciam muito bem, me respeitavam e que acreditavam em mim e na minha integridade e inocência. Eram eles o saudoso Dr. Márcio Mont’Alegre – a quem eu também muito gostava e respeitava, em que pese as diversas críticas e especulações a respeito do seu trabalho e de suas controversas decisões, mas que muito me honrou com a sua amizade e atenção – e o Dr. André Marcelo Strogenski, juiz criminal e que não permitiu que eu fosse preso, diante da acusação fantasiosa que fora vítima.

O polêmico e já falecido juiz Marcio Monte Alegre, contestado por muitos, na minha opinião foi um juiz corajoso, acredito que com muito mais qualidades do que defeitos, e que não aceitava em hipótese alguma que promotores passassem por cima de sua autoridade.
Na verdade, não haviam provas idôneas ou sequer razoáveis sobre as supostas doze tentativas de extorsão , a não ser o depósito de 10 mil e que fora feito por livre e espontânea vontade do próprio Crisnandes. Assim como no caso dos professores, os relatos contra mim eram totalmente unilaterais, todos na base do me falaram ou ouvi dizer, segundo Crisnandes. De minha parte é que ele nunca recebeu pressão ou um telefonema sequer lhe cobrando.
Ideia de dois jericos
Só algum tempo depois descobri que Jarbas – o ninja - e Kojak, meu ex-contador, certo dia, completamente duros, no Algo Mais, teriam usado o meu nome para tentar ganhar algum dinheiro do belga, sugerindo a Crisnandes que um bom dinheiro da parte dele ou do belga possivelmente me calaria, em estratégia a mim confessada posteriormente pelo próprio Jarbas, hoje novamente meu amigo pessoal, já que acabei perdoando a todos e deixando para lá.
Não sou de guardar mágoas ou ressentimentos. Só não gosto de mentiras ou safadezas. Falou a verdade, reconheceu o erro e me pediu desculpas, está desculpado. Acabou a desavença na hora. Vida que segue. Hoje entendo melhor e avalio que o próprio Crisnandes talvez se deixou levar por relatos ou pedidas que nunca foram feitas por mim e que eu sequer tinha conhecimento. Talvez até o próprio promotor Dioneles tenha sido induzido a erro. Nem eu e nem minhas testemunhas, Sergio Pessoa, Cesar Oliveira e Roberto Doro, que inclusive redigiu a matéria enquanto eu lhe recitava o conteúdo, nunca foram ouvidas. Enfim, passou. Valeu-me como experiência. Atualmente ninguém me pega mais em situação semelhante.
Sobre o meu suposto falso testemunho
Além do processo movido por Crisnandes, certamente indignado e furioso com as reportagens do Topa Tudo acerca das mortes de Álvaro e Elisney, o promotor Dioneles também resolveu entrar com uma denúncia contra mim por suposto falso testemunho no caso dos professores, cujo pedido de prisão, feito em fase de pronúncia contra os acusados, também foi negado pelo Dr. André, sob a alegação de que o suposto crime de falso testemunho não tinha a nada ver com aquela fase processual – a de embargos de declaração em relação à pronúncia a júri popular – tendo o magistrado determinado que fosse aberto uma investigação e um inquérito policial contra mim, para que o delegado Evy confirmasse ou não o meu suposto falso testemunho.
O juiz André estava certíssimo. Como processar e prender alguém por falso testemunho sem que no mínimo um inquérito policial fosse aberto e capaz de apontar quais seriam as mentiras por mim publicadas? Bingo!

Já o juiz André Strogenski, conhecido pela sua caneta bastante pesada com os réus, é outro que sempre se preocupou em não condenar pessoas inocentes.
Era tudo o que eu mais queria. Agora quem estava vingado literalmente era eu. Vibrei com a decisão do Dr. André. Ser ouvido pelo delegado responsável pelos crimes dos dois professores - a quem desde o início eu desafia publicamente e pedia insistentemente para ser ouvido - era fundamental para provar a minha inocência e dos demais acusados. Agora ele teria que me ouvir, querendo ou não. Eu ia finalmente falar e ser ouvido. Quem não deve não teme e nem treme
E lá fui eu enfrentar Evy, cara a cara, depois de ter estampado, por diversas vezes, capas e mais capas do jornal, sempre em letras garrafais, defendendo a tese de que tudo não passava de uma grande farsa. Confesso que também não foi tarefa das mais fáceis, não. A única certeza que eu tinha era que não estava mentindo e que nem Evy e muito menos Dioneles, se justiça houvesse, teriam meios de me incriminar e prender.

Importante registrar que estou apresentando apenas parte do meu depoimento ao delegado Evy no momento, pelo fato de envolver outras pessoas, as quais entendendo que não tenho o direito de expô-las publicamente. Mas nada que comprometa o conteúdo principal do depoimento. Tudo que eu publicava no jornal, eu tinha prova, nada foi inventado. Pelo contrário, a descoberta maior, no caso quem realmente matou os professores, era por mim guardada até então.
Quem matou Álvaro e Elisney
Todavia, ao final do meu depoimento, sob a minha promessa de que eu não assinaria de jeito nenhum meu relato caso o delegado Evy constasse a informação sobre como e através de quem eu tinha feito a suposta descoberta, revelei ao delegado o nome de três dos autores dos crimes dos professores, em um assalto seguido de reação. O quarto elemento até hoje permanece uma incógnita.
A informação, que será confirmada nos próximos capítulos, havia sido me repassada casualmente e de forma inocente por ninguém menos do que a mulher do juiz André Strogenski, a senhora Daniela, cujo diálogo tinha sido inclusive presenciado pelo então presidente da Câmara de Vereadores, vereador Hélio de Paula.
Relato insuspeito
Segundo a narrativa de Daniela, seu esposo, o juiz André, quando ainda era juiz em Santa Cruz Cabrália, teria interrogado um determinado elemento, em um outro processo criminal, possivelmente, acredito eu, pelo fato de ter recebido informações por parte de policiais e que apontavam para a participação direta dele nos crimes dos professores, e o magistrado o teria inquirido sobre o assunto, cuja participação nas mortes teria sido categoricamente negada pouco antes por outro acusado, e que no fim acabou sendo condenado a quase 15 anos de prisão pelo magistrado em um outro processo criminal, pena esta já cumprida.
De acordo com o relato – para mim absolutamente insuspeito - da esposa do magistrado, o Dr. André, que segundo ela nunca havia se portado assim antes, principalmente invocando o nome de Jesus em uma audiência, ele teria pressionado o elemento dizendo-lhe “, fulano negou, mas Jesus vai tocar no seu coração e você vai me dizer se foram vocês que mataram ou não os professores” ”, sendo que o interrogado negou a participação num primeiro momento.
Ocorre que tão logo se encerrou a audiência, um oficial de justiça teria procurado o juiz e lhe avisado que o preso estava chorando muito na viatura policial e que queria voltar a falar com o magistrado sobre o crime dos professores, sendo autorizado o seu retorno à sala.
Teria sido neste momento que este elemento teria confessado ao juiz que ele, junto com mais três assaltantes, teriam de fato efetuado o assalto na Roça do Povo e que resultou nas mortes dos dois professores, os quais teriam reagido ao assalto, entrando em luta corporal com o grupo, ocasião em que foram assassinados.
Tal revelação, perceba-se, vai exatamente no mesmo sentido do depoimento da mãe de Álvaro, ao juiz Roberto, quando ela afirma que uma enfermeira lhe chamou e perguntou, logo após Álvaro chegar no hospital, se por acaso ele havia se metido em alguma briga, vez que apresentaria uma grande mancha roxa na região do saco escrotal, próprio de uma luta corporal, o que torna bastante possível e plausível a tese por mim defendida de latrocínio, após a reação de Álvaro e Elisney.
VEJA O RELATO EM VÍDEO DA MÃE DE ALVARO PARTE QUE FALA DA ENFERMEIRA
Mesmo modus operandi
Importante registrar que à época dos fatos, o grupo de assaltantes se tornou conhecido e procurado pela polícia local pelo fato de estarem realizando diversos assaltos à zonas rurais da região, uma especialidade nova até mesmo para a Polícia. Todos idênticos ao caso dos professores, ou seja, elementos bastante tatuados, fazendo usos de capuz, agindo com muita violência, nervosos e sob forte efeito das drogas que usavam.
Tais assaltos, que incomodavam a Polícia e inquietavam a população, teriam acontecido inclusive no sítio do falecido coronel Belcorígenes, localizado o lado do Centro de Convenções e na casa do falecido ex-vereador Tica, em Imbiruçu de Dentro – ou Pindorama – onde o grupo chegou a levar o filho do ex-vereador até mesmo como refém. Todos, repito, encapuzados, tatuados, com capuzes ou camisetas sobre os rostos, violentos e altamente drogados, conforme confirmado recentemente pelo juiz em sua pequena entrevista para este blog. Exatamente como relatado por dona Cida e Eric quando os dois professores foram assassinados.
Assim como eu revelei a informação ao delegado Evy ao final do meu depoimento, mesmo sem constar oficialmente, tenho a certeza de que o próprio juiz, Dr. André, lhe fez a mesma revelação. Até porque Evy me garantiu que iria conversar com o magistrado pessoalmente sobre o assunto para confirmar a minha informação. Eu é que não iria inventar uma versão destas, ainda mais envolvendo um juiz, sua esposa e um delegado.
Evidentemente, se só faço esse relato nessa momento, praticamente mais de 15 anos depois, é porque pedi a devida autorização ao magistrado, que me autorizou a fazer tal revelação publicamente., inclusive confirmando tal revelação em vídeo, que será publicado no capítulo destinado à autoria do suposto assalto e às mortes dos dois professores. Do contrário, essa informação iria morrer comigo. Eu procuro ser homem, tenho palavra e honro meus amigos e compromissos. Na época, eu havia dado a minha palavra ao referido juiz no sentido de manter sigilo sobre a descoberta porque envolveria a sua esposa e que, sem querer, havia me repassado a importante revelação. Era o mais certo a fazer. E cumpri. Ou não?
Omissão? Certamente, menos por parte do juiz
E que ninguém acuse o referido juiz de prevaricação, omissão ou algo parecido. Isso porque o magistrado ouviu a confissão de um preso, feita de forma informal durante uma audiência em um outro processo, confessada em outra comarca, só lhe cabendo informar ao delegado Evy para que este desse continuidade às suas investigações. O que, presume-se não o fez, diga-se de passagem, conforme declarou o próprio juiz Roberto em sua sentença de pronúncia. Ou não quis fazer. Ou foi pressionado pelo MP para não fazer. Por que realmente o delegado não concluiu suas investigações é uma outra explicação que ele e o MP devem à sociedade até hoje.
Isso foi fato, não foi mero boato. Eu vi e vivi toda esta situação e sou testemunha viva de toda esta história.
Polícia e MP tem o dever moral de reabrir o caso
Evidente que, estando preso atualmente por outros crimes em Eunápolis, será muito difícil que hoje este detento venha a público confessar a sua participação nos referidos crimes, seja por medo do líder do assalto – dizem que ele realmente é bastante perigoso e cruel, e que Barrinha tem muito medo dele – ou seja pela própria possibilidade de vir a responder por mais dois homicídios, podendo passar praticamente o resto de sua vida na prisão.
A não ser, é claro, que a própria Polícia e o MP tivessem humildade, fizessem uma honrosa mea culpa e uma espécie de delação premiada, já que fizeram exatamente isso em favor dos traficantes Marcelo e João, e, pior, de forma absolutamente indevida e injusta, já que ambos, além de terem sido presos e confessarem em juízo a participação numa organização criminosa, chegando ao ponto de afirmarem que comandavam o tráfico e até mesmo as polícias Civil e Militar, foram, sem a menor sombra de dúvida, os responsáveis diretos pelas mortes de Pequeno e de Rodrigo Terceiro .
Era o mínimo que poderia se esperar atualmente de duas instituições tão sérias e tão respeitadas, diante das novas e importantes informações que surgiram e que estão sendo publicadas. Fica a sugestão. Acredito que ainda dá tempo de consertar o grave erro, o que requer humildade e boa vontade.
Hoje posso afirmar, quase que sem medo de errar - afinal, eu não estava lá - quem de fato matou os dois professores, em assalto seguido de reação e mortes, cujos nomes serão revelados nos próximos capítulos. A verdade nua e crua, que acredito, é esta. Ou será que após tantas revelações, a palavra dos dois traficantes foragidos – um deles, João, já morto - ainda tem mais peso e credibilidade do que esta pequena obra e os testemunhos de juiz, dois delegados, e diversos advogados e vereadores?