Todavia, pouco antes de depor e ser ouvido por Evy, já no limite das minhas forças emocionais, fiz questão de ligar pessoalmente para o promotor Dioneles, a quem sugeri uma conversa entre nós, conversa  séria, sincera e honesta, em seu gabinete. Ele prontamente aceitou o meu convite   e me autorizou que o procurasse, marcando dia e  hora para me receber. Eu estava realmente disposto a ir para o tudo ou nada com o promotor e o delegado,  no sentido de manter minha versão e brigar por ela até o fim. Era o meu nome, minha dignidade, meu jornal  e minha vida que estavam em jogo.

 

 

Definitivamente, aquela era uma briga que não tinha mais volta, não tinha mais  como eu recuar.  Nem que eu quisesse. O promotor não recuava e muito menos eu.  E para mim já estava decidido: se eu tivesse que ser processado e preso, que ao menos eu fosse processado, respondesse e fosse preso pelo que realmente devia, mas jamais por invenções e maldades.

 

 

Só que eu não devia absolutamente nada, eu não havia inventado nada, nenhuma linha sequer,  tudo que fora publicado no jornal fora publicado com base em depoimentos, os quais desmentiam categoricamente as acusações formuladas pelo MP. Mas sabendo como funcionava a justiça em alguns casos, claro que  a situação preocupava, por mais que eu tivesse total  convicção de que estava fazendo o certo. Só que quando juiz e promotor se juntam contra alguém, o que graças a Deus não era o meu caso, não tem quem escape de uma possível condenação. Sempre brinco com meus amigos, até brigue com um promotor  ou juiz, mas nunca os dois juntos. É condenação quase que certa. Até o sujeito conseguir reverter a condenação, caso ainda consiga reverter, o acusado vive um verdadeiro trauma sem fim, com noites e mais noites sem dormir. . Se eu dissesse que nunca tive medo de ser preso naqueles dias, estaria mentindo. Claro que eu tive. 

 

 

Memória perdida

 

 

Voltando ao assunto do jornal, uma pena que, passados tantos anos, eu tenha perdido o arquivo do jornal, com todas as memórias e matérias publicadas, pois teria muito mais informações a serem repassadas ao leitor  sobre o caso dos professores  e que não me  lembro mais. O motivo da perda  é que eram pilhas e mais pilhas de jornal, o papel jornal amarela com muita facilidade, mofa, cria fungos, ácaros  e apodrece. O jeito foi jogar tudo fora. Até tentei  copiar e armazenar todas as edições naqueles  antigos CD´s, mas que com o tempo também foram colando uns aos outros, ocorrendo o processo de delaminação, indo tudo para o lixo. Não tenho dúvidas de que seria o retrato mais fiel da história real  de Porto Seguro nos últimos 20 anos. O máximo que salvei foram justamente os xerox´s de apenas  algumas das matérias do caso dos professores, mas não todas. Boa parte  infelizmente  acabou  perdida.

 

 

Para minha surpresa, já de cabeça bem mais fria, chegando à sala do promotor no dia e hora combinados, me deparei com a presença de um PM em sua sala, o que me levou a suspeitar que ele teria sido designado por Dioneles  para fazer sua eventual segurança, caso eu chegasse lá armado,  embora, apesar da grande raiva que estava nutrindo pelo promotor naqueles dias, tal possibilidade - ao menos real - nunca tenha passado pela minha cabeça. Minha raiva maior era de Ubaldino, que batia-me sem dó nem piedade em sua rádio palanque. 

 

 

Mas a  situação de fato era realmente complicada e a possibilidade  de um grave conflito entre eu e o promotor não poderia ser de tudo  descartada. Ele me querendo preso a qualquer custo e eu esperneando para mostrar que o errado não  era eu, que eu não estava mentindo, inventando coisas  ou agredindo-o gratuitamente,  e que tudo que eu descobria e publicava sobre o caso  era baseado em fatos e provas cabais.

 

 

E foi assim que eu tive uma primeira,  longa e sincera conversa com o promotor Dioneles, quando  expus-lhe toda a minha a situação e atuação, não só sobre o caso de Crisnandes, mas também sobre o caso dos professores. Não havia absolutamente nada a ser escondido. Minha vida poderia ser devassada pelo MP de trás para frente, por baixo ou por cima, do jeito que ele bem quisesse, que absolutamente nada de errado ou ilegal  seria encontrado. Ao menos essa certeza eu sempre tive. 

 

Outra farsa 

 

 

Meus defeitos à época eram mais a impulsividade, o estilo combativo e as noitadas regadas a muito uísque.   Em uma dessas ocasiões cheguei a ser preso indevidamente, através de uma orquestração forjada pela Polícia Rodoviária Federal, cujo detalhes entendo como absolutamente  irrelevantes nesta narrativa. Mas como de tudo que é  ruim,  a pessoa de bem  precisa ter o bom senso e  a  inteligência para sempre procurar extrair o melhor, resolvi definitivamente  tomar  vergonha e tornei-me um abstêmio convicto desde então. Após ser solto mediante fiança, fui para casa, dormi, acordei às  3 horas da madrugada, me lembrei do meu pai, chorei muito, orei, pedi forças a Deus  e  prometi a mim mesmo que nunca mais na vida  beberia novamente, nem que fosse um mínimo gole. Hoje brinco com todo mundo, no sentido de  que não bebo não é porque eu não gosto. Não bebo é porque  eu gosto demais!!

 

 

Desespero perante o promotor

 

Mas, voltando a narrar sobre a minha reunião com o promotor,  com lágrimas nos olhos – sim, eu cheguei a chorar na frente do promotor tal era o estado de nervos em que me  encontrava, mediante dois pedidos de prisão totalmente injustos  – me propus, por minha livre e espôntanea vontade,  a lhe autorizar a quebra dos meus sigilos fiscal, bancário e telefônico, em busca de paz e a fim de provar a Dioneles que eu nunca havia recebido um real sequer de Edésio, dos PMs ou de Abade para me contrapor ao inquérito policial e à atuação do MP, conforme muitos  especulavam e ainda especulam, vide e-mail do promotor João Alves mais à frente. . Muito menos havia tentado extorquir Crisnandes.  Autorização  esta que, é claro, foi prontamente aceita e digitada pelo próprio  promotor em seu computador. Assinei na hora e sem pensar duas vezes.  Eu não devia nada, qual seria  o problema?

 

 

Ora, eu mal e mal conhecia os PMs – só passei a conhece-los quando  passei a entrevista-los na prisão do 8o BPM e logo em seguida ia conferir se as informações por eles prestadas eram verdadeiras ou não – minha relação com Edésio era absolutamente institucional – ele como secretário e eu como diretor de jornal – e de Abade, um reconhecido  pão duro miserável e de marca maior,  nunca recebi um real sequer, que não fosse espaços publicitários comprados pela prefeitura no jornal.  Ter medo de quê?  Eu vivia praticamente duro e realmente não tinha nada a temer. Por mim, Dioneles podia revirar minha vida do jeito que bem  quisesse. Eu não devia nada. Comigo, a esta altura dos acontecimentos,  era na base do vai ou racha. Ou tudo ou nada. Ponto final.

 

 

Neste primeiro encontro, Dioneles foi bastante educado e compreensivo comigo, chegando ao ponto de me pedir desculpas pelo fato de que tinha agendado uma entrevista na rádio de Ubaldino para minutos depois. Todavia, me garantiu que iria pegar leve,  que entendia a minha posição e que respeitava o meu trabalho. Saí de lá bem mais tranquilo e aliviado.

 

Só que, para a minha mais absoluta surpresa e incredulidade, minutos depois,  ele, com uma Bíblia na mão, concedeu a  tal a entrevista e afirmou que um “jornalista estava prestes a ser preso pelo crime de falso testemunho”, além de recitar alguns versos bíblicos. Nunca entendi porque ele agiu daquela forma. Mas, como em tudo na vida,  aquilo passou e a vida seguiu.
 
 
Outro detalhe importante deste encontro – e que deixou Dioneles sem chances de continuar a sua acusação, de suposta proteção minha a Abade e aos demais acusados -   é que eu havia recebido graves denúncias sobre possíveis práticas de crimes por parte do prefeito. As denúncias me foram repassadas por janistas que odiavam  Abade e que queriam vê-lo fora do cargo, para que, evidentemente,  Miguel  Ballejo assumisse e a farra voltasse a reinar na prefeitura.

 

 

Veja o teor completo  das falsas denúncias  novamente

NO LINK ABAIXO

 

Denúncias foram enviadas ao juiz, ao MP e à Polícia Federal 

 

As tais denúncias, se verdadeiras, apontavam claramente que Abade seria no mínimo um psicopata ou um monstro desalmado, como garantiam e juravam de pés juntos  janistas e ubaldinistas. Por alguns momentos, confesso que  caí no papo da oposição e cheguei a acreditar que as acusações contra o "Mosquito da Dengue", eram de fato verdadeiras. E o que eu fiz com elas? 

 

 

Simplesmente as enviei ao próprio promotor Dioneles, em um envelope devidamente lacrado, sendo que também as encaminhei ao juiz Roberto e ao então delegado da Polícia Federal, Dr. Fernando Perez, meu querido amigo pessoal à época, para que fossem devidamente investigadas. Por mim, se fosse realmente Abade e Edésio os mandantes, eles que fossem condenados e presos pelo resto das suas vidas. Eu é que não iria passar a mão na cabeça de ninguém neste caso. Tirar a vida de dois professores - e  eu ainda ser acusado de dar cobertura -  é que eu não poderia aceitar.

 

 

Só que quando estive na primeira vez com Dioneles, e toquei no assunto das denúncias contra Abade, ele, estratégica e malandramente – no bom sentido, por óbvio – falou que não as tinha recebido ou que não se lembrava delas.

 

 

Ora, como assim não recebeu, denúncias desta gravidade  e o senhor diz simplesmente que não se lembra de ter recebido, doutor?   Mandei lhe entregar num envelope lacrado e quem fez a entrega foi meu funcionário da mais absoluta confiança,  que  trabalha comigo há 15 anos. Ele jamais deixaria de cumprir uma ordem minha. Só não lhe  entreguei pessoalmente por que o   senhor queria me ver preso. Além disso,  também mandei cópias ao juiz e ao delegado da Polícia Federal. Eu jamais iria ocultar tais informações, doutor indaguei  e protestei ao promotor.

 

 

No que ele me respondeu: Pois é, mas realmente não me lembro de as ter recebido”, garantiu Dioneles. Fiquei fulo da vida com o promotor. Pensei comigo “que sujeito sacana e danado, dizer que não recebeu, logo ele que está doido para pegar Abade”.

 

Só que já no dia seguinte, o promotor me chamou novamente em sua sala, abriu uma gaveta, pegou o envelope com as denúncias e me disse: “São estas as denúncias que você me enviou, Miro? Verdade, você não mentiu, sim, eu as recebi, aqui estão elas”, confessou e admitiu  Dioneles.

 

 

Foi exatamente nesse momento que eu percebi que, realmente, ao menos para comigo, o referido promotor não era um ser endiabrado e sem alma como eu cheguei a cogitar. Até mesmo porque eu havia compartilhado tais informações com o juiz e o delegado , e não tinha como ele dizer que não. Mas foi um gesto de relativa grandeza de sua parte, reconheço. 

 

A partir deste fato, passei a ver Dioneles com outros olhos. Acredito que a recíproca talvez seja relativamente verdadeira. Ou pelo menos torço muito para que seja. Não tenho raiva dele e muito menos carrego comigo o desejo de vingança. Tanto que oportunizei a ele, assim como ao  promotor João Alves, ao delegado Evy  e a Ubaldino, no meu entendimento os maiores responsáveis, artífices e principais protagonistas  pelo desvirtuamento das acusações no caso dos professores, assim como pela prática  da grande injustiça cometida contra os acusados, a possibilidade de se manifestarem sobre as passagens narradas  neste livro, referentes às suas condutas e posicionamentos. Casualmente, não por nada, nenhum deles quis falar ou se contrapor. 

 

 

Encontros inusitados 

 

 

E foi assim que comecei um diálogo relativamente construtivo e  respeitoso com o promotor Dioneles, a quem, apesar dos pesares, até hoje – acreditem - respeito e lhe desejo o melhor em sua vida. Acho que ele errou e errou muito neste caso dos professores e talvez em outros casos. Quem já não errou feio na sua vida que atire a primeira pedra.  

 

Ocorre que certa feita, passados acho que  1 ou 2 anos desse primeiro encontro, casualmente me encontrei com o promotor por duas vezes, justamente em São Paulo, em pleno aeroporto, enquanto eu aguardava conexão para a cidade gaúcha de Passo Fundo, minha terra natal.

 

O mais curioso e que certamente só Deus em sua infinita sabedoria  explica, é que eu viajava apenas uma vez por ano à cidade dos meus pais, isso quando de férias e, casualmente, por dois anos seguidos, acredite quem quiser, tive a oportunidade de me encontrar pessoalmente e conversar com o referido promotor, e isso em pleno Aeroporto Internacional  de Guarulhos, o que não é n ada normal e certamente não se trata de mero acaso. Existem coisas em nossa vida que só a mão de Deus faz acontecer. Essa foi uma delas. 

 

Para quem não sabe, ainda sobre o poder de Deus, a quem muito acredito,  logo após os crimes dos professores, quando completei meus 50 anos, dei-me de presente uma viagem  à  Jerusalém, onde fiz questão de colocar um bilhete no Muro das Lamentações,  pedindo  a Deus para que Ele me ajudasse a decifrar de uma vez por todas o caso dos professores, o que inclusive relatei ao juiz Roberto, dada à angústia e até mesmo desespero que eu passava naqueles dias. Só que eu queria  decifrar logo, no meu tempo,  e não esperar pelo tempo Dele. Veja abaixo parte do meu relato ao juiz.

 

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Lembro que na primeira vez, nesse encontro inesperado  no aeroporto, Dioneles me perguntou se eu ainda estava com raiva dele, tendo eu respondido que não, que de fato já tinha tido esse sentimento, mas já que havíamos conversado civilizadamente, não havia mais nenhum ressentimento da minha parte. Tudo havia ficado para trás. O passado era passado. Não havia mais porquê eu ter qualquer problema pessoal com o promotor, e que se revelou para mim, repito,  um sujeito bom.

 

Realmente não tenho o que falar deste promotor em termos pessoais e as revelações que ora faço são decorrentes de uma justa reparação que precisa ser feita aos acusados. Só isso. Espero que ele entenda. Aliás, pelo que dele conheci, tenho certeza que ele vai entender. 

 

Um ano depois, encontrei o promotor no mesmo aeroporto, nas mesmas condições e com tempo suficiente para falarmos sobre nossas desavenças. Encerrava-se ali, definitivamente,   qualquer problema pessoal entre nós.

 

 

O presente de Dioneles

 

 

E tanto isso é verdade, que pouco antes do promotor ser transferido para outra comarca – hoje ele se encontra em Itabuna – recebi sua inesperada visita nos estúdios da Band FM, localizada em frente às balsas, emissora FM que à época eu dirigia em Porto Seguro, onde mantivemos mais uma longa e amistosa conversa.

 

Nessa ocasião – lá pelo ano de 2015, recebi de Dioneles,  como presente, além da sua visita,   uma garrafa de um vinho muito bom e um livro, casualmente um livro de Direito Administrativo, cujas principais anotações e referências tinham sido destacadas por ele mesmo, as quais me serviram como base para a minha escolha na opção de Direito Administrativo,  na prova da OAB, na qual fui aprovado ainda no 9o semestre do curso naquele ano. Isso graças logo  ao livro de Dioneles! Acredite quem quiser. Se Deus não faz parte dessa longa e incrível  história, então não sei mais quem faz.

 

Se isso já não bastasse, num tom bastante amistoso e cordial, conversamos muito sobre o caso dos professores, eu sempre defendendo abertamente a minha tese de que as acusações eram realmente fantasiosas e não se sustentavam a prima facie, e ele defendendo a tese e a convicção dele.

"Se eu errei foi por convicção, não por maldade ou por dinheiro"

 

Como resposta de Dioneles, recebi a garantia dele no sentido de  que, se ele por acaso errou em suas acusações – e eu tenho certeza mais do que  absoluta   que errou absurdamente  - ele o fez por convicção, jamais movido pelo desejo de incriminar pessoas inocentes ou por supostamente ter recebido dinheiro de Ubaldino e Uldurico, tese fantasiosa  e possibilidade ventilada que corre até hoje entre algumas pessoas na cidade. 

Preciso esclarecer  e repetir que eu realmente acreditei – e ainda acredito – que Dioneles no fundo não é uma má pessoa. Pode até ser precipitado, equivocado, impulsivo  e talvez  teimoso, menos  gente ruim. Ninguém é totalmente mau ou totalmente bom neste mundo. Ao menos para mim, repito, ele se revelou um sujeito bom e decente, pessoa por quem passei a nutrir até mesmo um respeitoso carinho. Passei a acreditar que o promotor era de fato gente, um ser humano sujeito a erros, é  claro,  e  que  havia até mesmo, no fundo, no fundo, se convencido do seu erro e se arrependido em relação ao caso dos professores. Pelo menos foi o que eu pensei e que ainda acredito. 

 

 

O novo rompimento com Dioneles

 

 

A partir deste dia, passamos a nos falar e a nos relacionar ainda mais, via Facebook, quase que semanalmente, cuja relação só foi abruptamente encerrada quando, em uma determinada postagem, ele escreveu que havia estado naqueles dias – isso  já em 2016 - em Porto Seguro e que uma mulher, dentro do Supermercado Rondelli, havia lhe abraçado, rogando  insistentemente a sua volta para a cidade, que ele fazia muita falta por aqui, e que ele havia lhe explicado que tinha saído da cidade em decorrência das ameaças que passou a sofrer em virtude do caso dos professores.

 

Aí realmente eu  não me aguentei e teci duras críticas ao seu comentário. Isso porque ele fez um comentário bastante infeliz e que não condiz absolutamente em nada com a verdade.  E eu, á claro,  fiquei possesso e danado demais, até mesmo porque não aceito mentiras no caso dos professores.  Perguntei por quem, afinal, ele havia sido ameaçado? Pelo tráfico, pelos PMs ou por Edésio ou Abade?

 

Sim, porque ao que se saiba, o promotor foi transferido por ter agredido barbara e  cruelmente a juíza Nemora Jassen, durante um carnaval na Arena Axé Moi, o que é de domínio público, mas cuja motivação e mérito não me cabe aqui julgar ou explorar. Agora,  dizer que ele  tenha sido obrigado a deixar a cidade,  por supostas ameaças, ainda mais ele, um promotor destemido, corajoso e valente, realmente não deu para engolir.

 

 

Agressão à juíza Nemora

 

 

O pior de tudo é que a agressão à juíza Nemora foi tão louca e despropositada, que ela, segundo  relatos de pessoas muito próximas à ela, jamais teve nenhum romance ou sequer  qualquer tipo de  história de amor  com o promotor, tudo não passando, em tese,  de uma paixão platônica não correspondida.

 

Segundo a fonte, cuja sinceridade e proximidade com a magistrada não posso duvidar, Dioneles, mesmo casado, teria passado a assediá-la sistematicamente junto ao Fórum, onde ambos trabalhavam, tendo ela lhe alertado no sentido de que ele estaria confundindo as coisas, que ela estava se divorciando e saindo de um relacionamento, que ele era casado e que ela, enfim, não queria nada com ele e que ele parasse de assediá-la e que a respeitasse como juíza e colega de trabalho. Nada mais do que isso, segundo a mesma  fonte. 

 

Tanto que ela, para ver-se livre do suposto assédio, pediu remoção para a cidade de Eunápolis, só retornando para Porto Seguro após a saída de Dioneles.

 

Mas qual não foi a sua surpresa quando, quase seis meses depois, mais precisamente no dia 26/02/2012, ela estava junto com o seu então namorado, o advogado Leonardo Wishart – hoje seu esposo – quando foi atacada pelas costas e puxada pelos cabelos  com violentos  socos, chutes  e pontapés desferidos por Dioneles e que – pasmem – se encontrava acompanhado pela própria esposa no Carnaval do Axé Moi. Inacreditável. Haja descontrole emocional ou paixão platônica!

 

O fato, inusitado, como não poderia deixar de ser,  teve ampla  repercussão nacional, conforme se constata das matérias publicadas  pelos principais sites do país.

 

VEJA A 1ª MATÉRIA COMPLETA AQUI 

 

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VEJA A 2ª MATÉRIA COMPLETA AQUI 

 

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VEJA A 3ª MATÉRIA COMPLETA AQUI 

 

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E por mais incrível que pareça, mesmo ela sendo mulher e uma juíza, numa clara demonstração de como ainda funciona a justiça do nosso país, onde ao final geralmente só sobra mesmo para pretos, pobres e p#t@s, o promotor foi condenado a pagar apenas a quantia de R$ 1.000,00 e ainda em forma de cestas básicas! Esse é o nosso Brasil varonil, caro leitor! Vai aprendendo!

 

 

A planejada possível volta 

 

 

Ainda segundo informações, a postagem sobre a tal mulher que o havia encontrado no Rondelli, supostamente suplicando-lhe a volta para Porto Seguro, teria se dado diante do fato de que o prefeito Jânio Natal, eleito em 2016,  nesta sua segunda passagem em Porto Seguro, já estaria mexendo com os pauzinhos, junto ao Tribunal de Justiça, em Salvador,  na esperança de trazê-lo de volta, já que ambos são supostamente amigos e se relacionam muito bem.

   

Outros possíveis casos de abusos de Dioneles 

 

 

E se tudo isso já não bastasse, a deslustrar a figura do combativo promotor Dioneles, outros casos, referentes a supostos abusos de autoridade, teriam sido realizados por ele. Não me cabe julgar, mas sou obrigado a relatar ao leitor.

 

Conforme consta do Jornal A Tarde, em matéria estampada na capa do jornal, na data de 28/02/2008, o então delegado da Polícia Civil  de Porto Seguro, Robério Faria Reis, junto com mais quatro agentes,  teria sido denunciado pelo promotor Dioneles por prática de tortura, com requintes de crueldade,  contra 130 presos, os quais teriam sido forçados a permanecer nus durante todo o mês de  fevereiro, além de serem espancados diariamente, tendo  casualmente a juíza Nemora Jassen sido quem determinou  o seu afastamento cautelar do cargo, além de ser obrigado a entregar a sua arma e seu distintivo. Uma verdadeira humilhação pública para o delegado.

 

 

Detalhe: projetada para abrigar no máximo 18 presos, a carceragem da DP contava com 130 presos à época. Certamente, não por culpa do delegado, mas sim pelo próprio e falido sistema carcerário e prisional do Estado da Bahia.

VEJA A MATÉRIA AQUI


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 Acontece que, mais uma vez,  tudo não passava de mais uma grande mentira, ou seja, uma grande farsa,  a qual fora arquitetada, segundo eu soube depois,  por um advogado malandro, que procurou Dioneles,  após ter combinado a trama com alguns presos, clientes seus,  revoltado que estava com o tratamento sempre sério que recebia da parte do  Dr. Robério, e que não permitia advogados a toda hora  na carceragem querendo impor regras e horário de visitas aos presos em sua delegacia.

 

O mais interessante de tudo, e que não me deixa mentir – estão aí os policiais civis e militares que podem confirmar minha versão – é que o delegado Robério era muito refinado e educado, tal era a sua cordialidade e educação no trato com as pessoas, vez que era um evangélico convicto, um homem simplesmente incapaz de torturar alguém, chegando ao ponto de comprar materiais de higiene e remédios aos presos com dinheiro do seu próprio bolso.

 

Além disso, Robério, que era casado com a também delegada Viviane Reis, da Deltur,  ainda comandava grupos diário de oração entre os presos que professavam a sua mesma fé evangélica. Como um homem destes, tão cordial e temente a Deus,   poderia ser um cruel torturador? Seria possível imaginar tal possibilidade? Para Dioneles, infelizmente,  seria.

 

O resultado não poderia ser outro. Passados alguns meses, os quais passou madrugadas inteiras orando,  jejuando e clamando pela intervenção e  justiça divina, o delegado foi finalmente absolvido e voltou  ao cargo, já  que se descobriu posteriormente que tudo fora armado pelo advogado malandro e pelo promotor justiceiro. A troco de quê se fazer isso contra um delegado exemplar é o que não se sabe e não se entende. Extremamente lamentável, é o mínimo que se pode dizer.

 

O caso do delegado Milton Oliveira

 

Outro caso que sugere a atuação possivelmente exagerada e abusiva do promotor Dioneles se deu em relação à uma denúncia feita por ele contra o delegado Milton Oliveira, de Eunápolis, o qual entrevistei pessoalmente e que trabalhava há 35 anos na polícia. Segundo sua versão, ele teria sofrido uma perseguição implacável por parte do promotor, em Medeiros Neto, quando teria sido acusado de tráfico de drogas e de envolvimento com o jogo de bicho e máquinas caça-níqueis.

 

Segundo o delegado, que chegou a me mostrar o processo na época, era tudo armação do promotor. A ação penal proposta por Dioneles acabou sendo trancada. Eu estive na casa deste delegado e ele chegou a chorar me contando o episódio. O delegado se revelou na ocasião um homem pobre, morava de aluguel, num bairro humilde de Eunápolis, casa simples,  e andava num Corsa velho. Ele tembém me contou casos supostamente horrosos envolvendo supostamente os delgados Evy e Rodolfo Faro. Se os relatos eram ou não verdadeiros, não sou policial, não posso afirmar. Mas me pareceram relativamente verossíveis ou no mínimo com indícios suficientes de autoria. Tanto que revelei estas informações ao juiz Roberto através de um e-mail. 

 

A prisão do empresário Sergio Redher 

 

 

Por outro lado, outra acusação de suposto abuso de autoridade cometido pelo promotor teria sido  a prisão do empresário Sergio Osvaldo Rehder, dono da antiga gráfica Porto Card e do Jornal Acontece, lembram?

Pois é, segundo relato do próprio Sergio, a quem visitei pessoalmente na ocasião na prisão, ele estava fazendo uma determinada matéria e resolveu ligar para o promotor,  a fim de confirmar algumas informações e, de acordo com o seu relato, teria feito uma pergunta – não lembro exatamente qual foi - que teria desagradado a Dioneles. Como resposta, minutos depois foi preso,  algemado  e conduzido por uma viatura da Polícia Militar, em sua própria gráfica e perante seus funcionários, sob a acusação, possivelmente, salvo engano, de desacato à autoridade.

Sergio, empresário paulista e bem educado, era outro evangélico – não que isso seja uma referência, existem evangélicos de várias matizes – mas que em tese também  seria incapaz, ao que se saiba,  de  afrontar  ou destratar quem quer que fosse. Ainda mais um promotor de justiça da índole de Dioneles. Mas, enfim,  aconteceu.

O fato, que também causou grande repercussão na  cidade, inclusive foi prontamente repudiado pelo falecido juiz Marcio Mont’Alegre, que ficou simplesmente possesso e furioso com a prisão de Sergio, ao tomar conhecimento da sua prisão, na porta do Marabá. Para o ex-magistrado, promotor é apenas parte num processo, ele só pode requerer, mas não tem  autoridade funcional e poder para determinar a prisão de quem quer que seja, a não ser em situações excepcionais. Ainda segundo ele, o dono da canetada final, para fins de prisão,  é competência exclusiva de juiz. Bem, pelo menos é o que estabelece os nossos  Código Penal e Código de Processo Penal.

 

 

As acusações e a divulgação  das contas bancárias de Edésio

 

 

Outro fato que demonstra o estilo impetuoso, autoritário  e combativo do referido promotor, foi a acusação feita por ele ao ex-secretário Edésio, o qual, segundo o promotor e de acordo com dados extraídos do COAF, Edésio teria movimentado mais de um milhão de reais em suas contas bancarias logo após sair da prisão da Polinter, em Salvador, onde amargou mais de  9 meses de prisão pela suspeita de ter mandado matar  os professores.

 

 

De acordo com a denúncia do promotor, feita a vários órgãos de imprensa, a fim de reforçar e dar ares de veracidade às acusações contra Edésio, ele teria movimentando a quantia exata de R$______________, em tantos meses _________.

 

Só que a verdadeira história  -   e os números indevidamente divulgados, assim como aconteceu no caso dos professores, no caso do delegado Robério e possivelmente no caso do empresário Sergio Redher -  era completamente diferente, reforçando a suspeita de que, para Dioneles, quando ele quer, não tem quem o segure. Nem que seja a maior das verdades ou das mentiras.

 

Isso porque a suposta movimentação financeira do ex-secretário, que sempre fez várias transações bancárias, sobretudo emprestando dinheiro a  juros a alguns políticos  à época – sim, Edésio sempre teve  essa boa condição financeira e hoje é um dos mais bem pagos e bem sucedidos marqueteiros políticos da Bahia – nada mais era do que a soma das entradas e saídas dos cheques que emitia e dos cheques que recebia. Ou seja, era praticamente o mesmo volume de dinheiro, só que somando as entradas com a saídas, o montante parecia muito maior, ou pelo menos o dobro dos valores realmente movimentados. Ou seja,  o dinheiro entrava e saía, mas  era praticamente  o mesmo.

 

Além disso, o promotor considerou e divulgou  como movimentação bancária de Edésio um plano de previdência privada, no valor total de pouco mais de 1,2 milhões de reais, que ele havia comprado e dividido em suaves parcelas mensais,  para ser destinado e resgatado, mais de 10 anos depois, como meio  de garantir o pagamento da faculdade de Medicina do filho do seu primeiro casamento, de nome   João Miguel,  que ele teve com a sua primeira esposa, de nome Maria Lúcia Mascarenhas, uma ex-freira  e atualmente psicopedagoga e membra do ANAI (Asssociacão Nacional do Índio) uma mulher distinta e a quem conheci pessoalmente em Salvador.

 

Nesse sentido, importante registrar o amor, o respeito e o carinho da ex-esposa de Edésio e do seu filho para com ele. E dele para com ela e o filho, chegando ao ponto de pagar por mais de 15 anos um plano de previdência privada para custear a tão sonhada faculdade de Medicina do filho, atualmente no 10o semestre do referido curso.

 

Não é, convenhamos,  todo pai que age assim. Sinal no mínimo que deve ter sido um bom sujeito ou ao menos um bom pai ou marido. O maior defeito do ex-secretário sempre foi ser namorador e galanteador, o que lhe rendeu inúmeras namoradas, todas elas nutrindo verdadeira fixação por ele. Mas hoje ele baixou a bola, se apaixonou, casou e vive babando a mulher e os o dois  filhos menores, a quem ama de paixão, vivendo só para a família

 

Se existe um outro Edésio, sinceramente, eu nunca consegui descobrir. E olha que eu procurei. Mas o espaço dentro do nosso blog sempre estará aberto,  tanto às nossas autoridades quanto a qualquer leitor que, se identificando, queira eventualmente trazer informações que eu eventualmente desconheça. Aqui conosco não tem disse me disse ou ouvi dizer. Ou é ou não é. Para mim, Edésio é um bom sujeito. Ponto. 

 

A grave condenação do promotor

 

Finalmente, parte da conta de seus vários erros chegou para Dioneles. Processado  por Edésio, através de dura e legítima  representação encaminhada por ele ao Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), por abuso de autoridade e publicação de dados sigilosos extraídos sem autorização de uma outra investigação, o promotor foi condenado pelos seus próprios pares a uma pena no mínimo bastante humilhante para uma autoridade da sua envergadura, posto que o CNMP considerou como falta de decoro, incompatível com o cargo,  a sua atuação contra o ex-secretário, em relação à sua movimentação bancária.   

Nesse sentido, o promotor foi condenado a_____________________

Mas ainda bem que parte da sua condenação veio aqui na terra. Dizem que lá por cima, no plano espiritual, a pena a ser paga é bem mais longa e dolorida. Será? Eu é que não quero saber.