ABADE:  "TENTARAM FORJAR PROVAS CONTRA MIM"

 

 

 

 Procurado para se manifestar neste Blog   acerca dos fatos e das acusações, o ex-prefeito Gilberto Abade, apontado equivocadamente   por muitos como suposto e  maior interessado nos assassinatos dos dois educadores, e que manteve um silêncio sepulcral por mais de 17 anos sobre o assunto, finalmente  resolveu falar e se posicionar sobre a tragédia, saindo em defesa de Edésio e dos PMs, bem como reafirmando a tese sempre por mim defendida, segundo a qual a narrativa levada ao público não passou de uma grande farsa, uma trama política e insana, orquestrada habilmente  para cassá-lo e  para que, em tese,  segundo Abade, o vice Miguel Ballejo assumisse a Prefeitura, o que só não foi possível diante da decisão firme  de pronúncia do juiz Roberto Costa Freitas Júnior, e que fez questão de isentá-lo expressamente de qualquer participação nas mortes.

 

 

Não fosse a corajosa decisão do magistrado – pelo menos em relação a Abade, o que infelizmente não o fez em relação aos demais acusados, apesar das gritantes evidências de suposta fraude policial e ministerial  -  com certeza a tragédia teria tomado proporções bem maiores, destruindo, assim,  a vida de dezenas de pessoas inocentes.

 

 

A justa  indignação de Abade

 

 

Questionado por mim, o  ex-prefeito, que de tão revoltado que ficou com as levianas e manipuladas acusações e especulações  contra ele,  seus seguranças e Edésio,  resolveu retirar-se definitivamente da vida pública, não poupou pesadas críticas aos promotores do caso, a quem, resumidamente,  classificou como “  infelizmente eles politizaram a tragédia  com a finalidade de me derrubar, se juntaram com meus adversários políticos para que o meu vice assumisse...  parece que são pessoas que não devem ter pais, mães, esposas e filhos... ”.

 

 

Aliança do MP com Ubaldino? 

 

 

Embora Abade não cite nomes, para quem conhece realmente os fatos de perto,  como eu, não restam dúvidas de que o encontro ao que o ex-prefeito se refere, que teria supostamente  se dado no Hotel Casablanca, cuja possibilidade ou não da  informação ser verdadeira eu particularmente  já tinha há mais de 15 anos, teria sido uma possível reunião  entre   o ex-prefeito Ubaldino Júnior com  um dos promotores.  

 

 

Falando ainda no ex-prefeito Ubaldino, sem dúvida nenhuma  um dos maiores propulsores da falsa narrativa impulsionada e reverberada à exaustão pela sua rádio palanque, e que hoje se declara amigo  de Abade, sendo inclusive um dos dos convidados de honra  do casamento do seu filho Oliver, ocorrido recentemente, não fica difícil presumir que quando Abade fala em sua entrevista  que os promotores – ou pelo menos um deles - ligavam constantemente para um dos seus adversários políticos, afirmando  que iriam derrubar Abade,  ele se refere justamente ao papel desempenhado pelo ex-prefeito, no sentido de expandir, amplificar  e dar cobertura à verdadeira teratologia  jurídica que se revelaram  as fantasiosas  acusações sustentadas pelo MP.

 

 

A estranha presença do promotor de Eunápolis  na posse de Abade

 

 

Também não fica difícil se presumir que é em relação ao promotor João Alves, de Eunápolis, a que Abade se refere quando cita sua estranha presença no ato da sua posse, na Câmara de Vereadores, em 01/01/2009, na qual o representante do Parquet, segundo o ex-prefeito,  teria comparecido sem ter sido sequer convidado, vez que apenas dois promotores sustentaram a acusação e é de domínio público que o único promotor da cidade vizinha é o doutor João.

 

 

Quase 200 mil por mês  em contratos com dispensa de licitação 

 

 

Também  não sendo por demais se presumir que é sobre o referido promotor que recai  a grave suspeita lançada por Abade acerca das diversas e milionárias contratações que familiares do promotor  João Alves – em especial filho e nora -  tem obtido junto à diversas prefeituras da região, através do Escritório de Advocacia Ferreira & Alves, em contratos de assessoria jurídica para regularização de imóveis e a  recuperação de créditos tributários, todos casualmente com dispensa de licitação, com o mesmo modelo de carta de recomendação de uma prefeitura para outra – idênticos até mesmo em pontos e vírgulas, no melhor estilo control C, control V - envolvendo um faturamento médio mensal em torno de R$ 200.000,00, ou próximo disso, sendo que tais contratos, que perduram há mais de 5 anos, teriam sido mantidos pelas prefeituras e pagos até mesmo no período da pandemia, ou seja, quando as prefeituras estavam fechadas.

 

 

Mas, como bem define a sabedoria popular, quem pode, pode, né? Tem gente que faz contrato de 130 milhões para a mulher de ministro do STF e tem prefeito que é obrigado a contratar familiares de promotor para poder administrar a cidade em paz, caso, por exemplo, de Eunápolis, onde o gestor - dizem - se viu obrigado a conceder um contrato por demais generoso, inclusive com dispensa de licitação,  de  nada menos do que R$ 18,5 mil mensais para a nora do promotor João Alves, praticamente recém formada,  elaborar  supostamente  pareceres sobre Reurb, embora não seja um serviço exclusivo ou  singular e haja competição na especialidade. Coisas bem do nosso Brasil brasileiro. 

 

 

Pressão direta  junto aos prefeitos?

 

 

Segundo informações e comentários no mínimo verossimilhantes, possivelmente o referido promotor estaria atuando diretamente junto a diversos prefeitos da região, pressionando  e ligando pessoalmente para os gestores,  em busca  da celebração, da renovação e da continuidade dos tais contratos em favor dos seus familiares, sendo que os gestores  seriam – especulam  as más línguas – forçados a celebrar uma espécie de blindagem institucional, vez que o representante do MP, além de ser titular em Eunápolis, atua como promotor substituto em diversas comarcas da região.

 

 

Se isso é 100% verdade ou não, não podemos asseverar,  cabe à Procuradoria de Justiça do Estado  e ao Conselho Nacional do Ministério Público investigar e, se for o caso, tomar as devidas providências e aplicar as eventuais sanções cabíveis. Da minha parte, o que posso  afirmar é que há aproximadamente 2 anos atrás, em pesquisa realizada junto ao Diário Oficial dos Municípios, detectei a existência de nada menos do que 9 contratos suspeitos envolvendo o referido escritório, com  diversas  prefeituras da região, o que reforça a suspeita de que algo muito estranho – ou seria de muita sorte?  - envolve a prestação de tais serviços jurídicos e que, aliás, não são singulares, vez que existem diversos concorrentes,  sendo, ainda,  que os detentores destes contratos não possuem, ao menos  em tese,  reconhecido e notório saber jurídico suficientes a ensejar a tal dispensa de licitação. Ou será que a exemplo de Ronaldinho e do filho de Lula, Joãozinho Alves e sua esposa seriam  verdadeiros  fenômenos jurídicos?

 

 

Como maior exemplo das relações supostamente  impróprias e suspeitas, que por certo denotam, em tese,  no mínimo um conflito de interesses, entre o representante do  MP eunapolitano e prefeitos da região,  podemos citar o recente contrato milionário firmado pela Prefeitura de Eunápolis, no valor de R$ 222.000,00 em favor do escritório Alves e Ferreira, fato que obviamente levanta  e reforça suspeitas variadas, lembrando que tal contrato foi renovado, ou seja, foi firmado originalmente há mais de 4 anos atrás pela administração da  ex-prefeita Cordélia Torres, cuja celebração, dizem, proporcionou-lhe um mandato, digamos assim, bastante tranquilo e sem maiores transtornos jurídicos. Nesse sentido, o prefeito Robério,  por óbvio, em busca do mesmo remédio, decidiu por seguir o mesmo caminho.

 

 CONTRATO ROBERIO

 O milionário  contrato firmado recentemente pelo prefeito Robério Oliveira, de Eunápolis,  ao menos em tese,  contraria todas as regras e exigências para a dispensa de licitação. 

 

 

Detalhe: ao longo dos últimos  4 anos, referido escritório, que detinha um contrato de R$ 10.000,00 mensais em Porto Seguro, com a direito, quando muito, à vinda de um dos seus represantes no máximo uma vez por mês à nossa cidade, segundo informações da própria Seplan, não foi capaz de concluir um único projeto de  Reurb , vez que todos, segundo informações da mesma Secretaria, foram devolvidos pelo Cartório de Registro de Imóveis por erros grosseiros  nos processos. Ou seja, Porto Seguro perdeu milhões de reais ao longo dos primeiros 4 anos da  adminitração Jânio Natal justamente  por fala de capacidade técnica do escritório contratado. E a pergunta que fica é: e quem vai pagar por isso? 

 

 

A íntegra da degravação da entrevista exclusiva

 

 

 

 

Ouça, abaixo, o áudio da entrevista completa concedida pelo ex-prefeito Abade a  este Blog, cuja parte do teor, reproduzimos  a seguir, deixando claro que referido promotor, repita-se,  foi procurado e convidado para se manifestar acerca das supostas acusações ou especulações, tendo preferido responder através de um e-mail, onde tenta desqualificar-me profissional e moralmente.  

 

 

Assim se referiu o o ex-prefeito Gilberto Abade, de forma resumida,  sobre o caso dos professores: 

 

 

Esta é uma página muito triste na história de Porto Seguro e infelizmente ela foi construída por autoridades que deveriam proteger a lisura das investigações e não protegeram.  Os  dois promotores politizaram o assassinato dos professores e forjaram provas. ... Eles deixaram de investigar o fato que aconteceu para politizar.  

 

 

Hoje,  depois de muitos anos passados, eu fiquei me perguntando por que  aqueles promotores,, por que  eles forjaram aquelas provas? Eu volto ao dia primeiro de janeiro de 2009,  quando eu tomei posse,  na Câmara  de Vereadores,  para minha surpresa tinha um promotor de Eunápolis lá presente,  o mesmo promotor que forjou as provas,  ele estava lá na Câmara de Vereadores assistindo a minha posse,  ele não foi convidado,  ele é de Eunápolis.  Que interesse esse promotor tinha?  Sempre me perguntei o interesse desse rapaz.  

 

 

Minha intervenção: - “Dizem que ele é meio que metido a xerife da região no MP, Abade, será verdade?...”

 

 

Abade: - “Uns dizem que ele é metido a xerife da região, outros dizem  outras coisas...

 

... Hoje corre aí na boca de todo mundo que ele exerce uma grande influência em todos os municípios da região com membros da sua família,  para prestar   serviços a vários municípios do Extremo Sul.  Eu acho que naquela época ele queria era isso,   ele queria ter essa abertura comigo e não teve...  E esses indivíduos, essas  autoridades,  eles têm que saber que a política é muito dinâmica.  Hoje quem é meu adversário,  amanhã é meu aliado.  E o  que acontece hoje é exatamente isso,  lá no passado,  naquele instante que a tragédia  aconteceu em Porto Seguro,  ele procurou os meus adversários,  que depois me procuraram,  e um me disse que o promotor ligava para ele  todos os dias,  dizendo que ia tirar o prefeito Abade para o vice assumir e,  automaticamente,   ia voltar o mesmo governo que era.(do ex-prefeito Jânio Natal)

 

 

E olha que essa pessoa me disse,  que eu não vou citar o nome aqui,  me disse assim:  “que promotor $#@&* ,  me telefonando todo dia,  eu vou tirar o prefeito,  vocês vão assumir de novo,  vou tirar o prefeito Abade.”

 

 

Quando aconteceu essa tragédia eu estava em  Vale Verde, num  lugar chamado  A Fazendinha,  um restaurante que tem ali antes de chegar em Vale Verde.  O que eu quero dizer com isso é que nós estávamos construindo naquele momento um diálogo com a APLB, onde o município pudesse conceder o tal o aumento dentro da legalidade e das suas possibilidades,  porque nós queríamos era isso (fazer um acordo).  Então,  não existia  nenhum motivo para assassinar professores.  Já  imaginou,  se cada um que faz uma greve, se  seria motivo   para mandar matar?  Porque isso seria uma  imbecilidade muito grande.

 

 

Eles, meus adversários,   fizeram uma  guerra contra mim com o  apoio  dos dois promotores *&%#$@+ que se acham,  um deles  até  tentou matar uma mulher no Carnaval (se referindo à juíza Nêmora)  e que  se o país   fosse sério ele,  tinha puxado cadeia  também.  Infelizmente o Ministério Público passou a mão na cabeça dele, infelizmente, mas foi no Carnaval,  nós temos todo mundo que viu.  Isso não  pode ser um promotor, mas um %$#*&$#@! 

 

 

O professor Álvaro,  ele tinha me apoiado para prefeito,  ele e o Elisney , eles me apoiaram para prefeito,  eles fizeram  campanha para mim,  nós não éramos inimigos. Eles achavam que estavam no direito deles em reivindicar, isso é normal em todos os lugares,  em toda a democracia.  Eles  me apoiaram para prefeito,  então aí,  eles – os promotores - criaram essa narrativa e politizaram  isso,  deixaram de pegar os verdadeiros assassinos,  que a gente já tem informações quem foi,  através de um assalto.

 

 

Todos sabem que foi um assalto,  os meninos reagiram  e resultou  naquela tragédia.

 

 

Edésio e os PMs foram  injustiçados,  eu acho que esses dois promotores,  eles não têm mãe,  não tem pai,  não tem filhos,  não tem família,  não tem *&¨$#@+  Eles não *&%$#@+*& ,  não podem  andar com a cabeça erguida, cometendo uma injustiça dessas, sendo que eles fizeram concurso para fazer justiça.

 

 

Mas só fizeram  malandragem,  só fizeram   +*&%$#@*&  ...   Eu soube que se encontraram no Hotel Vela Branca com meus adversários políticos, num café da manhã,  para criar estratégia para incriminar os meus seguranças e o meu secretário.  Isso é uma covardia,  isso é nojento,  você pensm o quê  de um homem desses?   Só de lembrar é revoltante, é bizarro, sinto nojo.

 

 

Eu espero que com a publicação desse livro e desse Blog,  muitas coisas e informações possam chegar para a sociedade,  que possa chegar ao conhecimento da comunidade e das autoridades.  Eu não sei nem se hoje ainda dá mais  tempo para  processar esses elementos,  depois de 15 anos,  mas eles merecem  uma boa cadeia,  porque são criminosos,  são mau caráter,  bandidos e sem valor nenhum...”  declarou, resumidamente, o ex-gestor.