Introdução...

 

 

Os acontecimentos narrados neste Blog são mais do que simples episódios de violência ou de suspeitas políticas: eles representam uma ferida aberta na memória e no coração da sociedade porto-segurense, onde a verdade sobre os assassinatos dos professores Alavro e Elisney foi obscurecida por clamor popular, interesses políticos e versões precipitadas de órgãos que deveriam prezar pela justiça e pela imparcialidade. Esta é a história real  de um caso que abalou gravemente  Porto Seguro, deixando marcas profundas em famílias, na comunidade educacional e na confiança nas instituições.

 

 

O "Caso dos Professores" não é apenas uma simples  investigação jornalística, mas uma busca incansável pela verdade diante de um cenário em que ela parecia ser o último objetivo. Tudo começou ao entardecer do dia  17 de setembro de 2009, quando os dois  professores, figuras queridas na cidade e  conhecidas pelo ativismo sindical, foram emboscados em um crime que chocou a todos. A morte trágica de Elisney no local e o falecimento de Álvaro dias depois desencadearam uma onda de especulações e revolta nunca antes vistas em nossa cidade, transformando o caso em um espetáculo público de acusações levianas e versões fantasiosas, muitas vezes alheias a qualquer base probatória.

 

 

Desde o início, rumores de um suposto crime de mando político, envolvendo possíveis  desvios de elevados  recursos e interesses escusos, tomaram conta do imaginário popular, ganhando força nas vozes de conhecidas  lideranças locais e na mídia. A pressão social e política levou a investigações que, longe de trazer respostas, levantaram ainda mais dúvidas sobre a verdadeira autoria dos crimes. O envolvimento de figuras políticas de destaque, como o então prefeito Gilberto Abade e seu secretário Edésio Lima, foi rapidamente apontado como fato consumado, mesmo antes que as investigações pudessem se iniciar e se desenrolar com a devida seriedade.

 

 

Ao longo dos últimos 17 anos, seja como editor do Jornal Topa Tudo, seja mais recentemente como advogado, embora não criminalista e sem atuar na defesa dos acusados, enfrentei o desafio de navegar por um ambiente hostil, onde até mesmo questionar as versões oficiais era visto como cumplicidade com os crimes. Fui alvo de denúncias, enfrentei dois pedidos de prisões por parte do Ministério Público, protestos, críticas e ameaças diretas por defender o princípio básico de que acusações precisam ser fundamentadas em fatos e não em meras  presunções ou em virtude da pressão e do  clamor popular. Foi essa experiência dolorosa que me motivou a buscar, por conta própria, a verdade sobre o que realmente aconteceu naquela fatídica noite.

 

 

Nesta obra, com imenso respeito ao leitor e  total fidelidade aos fatos,  compartilho os frutos de mais dequase duas décadas de investigações independentes, repletas muitas vezes de lágrimas, de medo e de encontros com testemunhas improváveis, mergulhos em cenários de alta periculosidade e enfrentamentos com versões que, a cada passo, se mostravam menos confiáveis. Cada palavra aqui registrada é um convite ao leitor para refletir, questionar e formar sua própria opinião com base em fatos, não em boatos.

 

 

Este Blog é dedicado especialmente  à memória dos professores Álvaro Henrique e Elisney Pereira, à  dona Cida, ao seu filho Eric, à família de Elisney, aos professores Euvadélis e Deusdete e tantos outros,  à APLB e a todos os valorosos  professores  que compõe a classe de educadores em Porto Seguro, e a todos que, de alguma forma, foram impactados por essa tragédia. Que esta narrativa sincera e honesta contribua para restaurar a dor e a  dignidade daqueles que tiveram suas reputações injustamente manchadas e para que erros tão graves como os aqui relatados  jamais se repitam em nossa sociedade.

 

 

Boa leitura a todos,

 

*Miro, cristão, advogado, jornalista e empresário.