E para que o leitor tenha mais uma pequena ideia, do ponto a que chegaram a Polícia e o MP – especialmente o MP, já que quase ao fim do inquérito o próprio delegado Evy informou oficialmente ao promotor e ao juiz que as possíveis denúncias ainda careciam de maiores investigações e que, portanto, o trabalho policial se encontrava inconcluso – pontos relevantes das possíveis descobertas e que inocentariam todos os acusados foram completamente ignorados pelos promotores Dioneles e João Alves.

Passados pouco mais de 30 dias da tragédia, de posse das escutas telefônicas de todos os investigados, em 22/09, o delegado Evy, já à frente das investigações, requereu prazo ao MP de mais 60 dias para terminar aos trabalhos, prazo este que foi dilatado após as mortes de Pequeno e de Rodrigo Terceiro, o que comprova claramente que o delegado tinha pleno conhecimento do teor das conversas de todos os investigados, inclusive as dos traficantes Marcelo e de João.
Pontos estes que, ao menos se considerados à luz da razão, do bom senso e da ponderação, certamente derrubariam facilmente as acusações do MP em relação às mortes dos professores, bem como as de Pequeno e de Rodrigo Terceiro, e que na versão do Parquet teriam sido obras detalhadamente arquitetadas por Edésio e pelos demais acusados.
O promotor Dioneles, juntamente com João Alves – este com participação menor, mas não menos isenta, vez que assinou junto a denúncia, colocando em xeque a credibilidade do MP enquanto instituição - possivelmente temendo serem desmoralizados publicamente, caso recuassem em suas alegações iniciais, simplesmente não podiam mais recuar, mesmo diante das gritantes evidências e graves revelações trazidas pelo jornal Topa Tudo, classificadas e tratadas por eles como uma espécie de “Pasquinzinho” sem nenhuma credibilidade. Aliás, não só trazidas pelo TT, mas também em relação às próprias descobertas feitas pela Polícia Civil. Ou seja, tudo que fosse descoberto ou que inocentasse os réus era deliberadamente ignorado pelos dois promotores.
Sindicância da PM inocentou acusados
Entre as principais revelações que inocentariam todos os acusados – ou ao menos demonstrariam cabalmente que os dois traficantes mentiram descaradamente do início ao fim de seus três depoimentos - conforme consta da sindicância interna instaurada por ordem do Comando Geral da Polícia Militar do Estado da Bahia, é que, segundo o PAD instaurado contra os PMs, a fim certamente de expulsá-los dos quadros da PM, as denúncias de Marcelo Caô e de João d’Ajuda não tinham encontrado o mínimo lastro probatório como se pode ler a seguir:

A ordem do Comandante Geral da PM, seguindo recomendação expressa do governador Jaques Wagner, que determinou a abertura de Processo Administrativo Disciplinar contra os PMs Sandoval, Rodrigues e Caveirinha, a fim de apurar a possível participação deles nos crimes indicados pelos traficantes, a fim de, se verdadeiras, expulsá-los da corporação.
Para a PM – nem poderia deixar de ser diferente – as duas testemunhas não passavam de dois traficantezinhos falastrões e que seus três depoimentos, mudados por nada menos do que três vezes seguidas em poucos dias, eram absolutamente contraditórios, concluindo que ambos não possuíam nenhuma credibilidade.
No documento a PM revelou em sua sindicância que as acusações feitas pela dupla de homicidas e traficantes, sobretudo em relação a supostamente terem sido obrigados por Sandoval e Rodrigues a revenderem parte dos 500 kg de maconha, apreendidos numa operação policial em Cabrália, cuja carga foi incinerada perante o juiz André Strogenski e vários outros policiais civis e militares, jamais teve a participação dos dois policiais, nem de perto e nem de longe, sendo impossível ambos terem retirado 15 kg dela e os repassado a Marcelo e João, conforme declarado pelos dois traficantes. Quem estaria mentindo, a PM enquanto instituição séria e respeitada, ou os dois traficantes fuleiros?

O resultado da sindicância interna realizada pela PM, um instituição séria e bi-centenária, concluiu que todas as acusações feitas pelos dois traficantes, em relação aos acusados, não passaram de mentiras sem a menor fundamentação.
Além do mais, os ditos traficantes, em especial Marcelo Caô, o mais egocêntrico, haviam afirmado categoricamente ao juiz que mandavam e desmandavam nas polícias Civil e Militar de Porto Seguro, chegando ao ponto de Marcelo afirmar que, quando queria praticar os seus crimes, seja de tráfico ou de mortes ou assaltos, ele simplesmente dava ordens para que fossem retiradas todas as viaturas policiais das ruas, dando-lhe passe livre e dando a entender que era um traficante grande e respeitado.
VEJA AQUI O QUE MARCELO CAÔ, SOB A PROTEÇÃO DO MP, DISSE AO JUIZ
A versão de Marcelo Caô, conhecido como um sujeito altamente bravateiro e muito mentiroso no submundo do crime, querendo se passar por uma espécie de “El Patron” do tráfico local, era tão fantasiosa, inconsistente e delirante, que chegou a afirmar numa determinada parte de um dos seus depoimento que teve seu filho sequestrado e que foi obrigado a colocar R$ 60 mil reais numa sacola para pagar aos algozes, e que teria jogado esta sacola num terreno baldio, deixando-a lá por vários dias, para que o dinheiro fosse resgatado pelos sequestradores, no caso os PMs. De onde um traficantezinho furreca e de meia tigela teria 60 mil reais em espécie para deixar numa sacola jogada num terreno baldio por vários dias é que são elas.
Doutro lado, não era justamente ele que mandava e desmandava nas polícias da cidade? Fosse mesmo o “El Patron” , possivelmente até bem mais forte que o famoso Buiú, quem se atreveria a sequestrar justamente o seu filho e ainda exigir R$ 60 mil reais? Ai, ai...
Além do mais, Marcelo chegou ao ponto de declarar que certa feita nada menos do que 13 viaturas policiais teriam se dirigido à sua residência a fim de lhe amedrontar ou pressionar. Tudo mentira. A Polícia Civil local nunca dispôs de 13 viaturas. E se ele pagava e mandava em tudo, por que a Polícia iria lhe procurar? Na verdade, Marcelo era tão insignificante no mundo do crime que não mandava nem na rua dele e até mesmo nem na própria mulher, como se verá no capítulo que relata a briga e o seu ódio pessoal para com Pequeno. Só não vou dizer francamente quem ele era enquanto marido em respeito à sua ex-companheira. Vida conjugal e traições amorosas não me interessam neste caso. Para bom entendedor, meia palavra basta.
Veja no vídeo abaixo o que disse o delegado Renato sobre as várias bravatas de Marcelo.
Para a PM, segundo o mesmo relatório interno, não havia dúvida nenhuma em relação à não participação dos seus policiais, tanto nas mortes de Álvaro e Elisney, quanto nas mortes de Pequeno e Rodrigo Terceiro, com a sindicância, diante da falta de provas, opinando pelo arquivamento do processo, inocentando os acusados de todos os crimes a eles imputados por Marcelo, João, o delegado Evy e os promotores Dioneles e João Alves. Definitivamente, alguma coisa só poderia estar muito errada nas acusações.
Além disso, um dia após os crimes dos professores, através do delegado Renato, a Polícia já havia pedido ao juiz, de forma obviamente sigilosa, a quebra dos sigilos telefônicos de todos os investigados, futuramente acusados, e, conforme consta do relatório policial do Serviço de Inteligência da Polícia Civil, nenhum dos suspeitos teria tido qualquer tipo de conversa, por menor ou mais suspeita que fosse, que pudesse incriminá-los ou alo menos sugerir suas participações na chacina. Detalhe: nenhum deles sabia que estava sendo monitorado.
Os únicos assuntos tratados pelos investigados, inclusive pelo ex-prefeito Abade e Edésio, eram relativos às suas atividades normais e funcionais do dia a dia. Inclusive, já no dia 24/09, ou seja, uma semana após os crimes, o delegado Evy requereu ao juiz a ampliação do número das escutas, passando-as para mais de 300, segundo denunciado pelos advogados de defesa ao Conselho Nacional de Justiça, conforme pode-se observar da "Operação Alfabetização", veja o pedido da quebra dos sigilos telefônicos

O relatório do Serviço de Inteligência da Polícia Civil, tendo como base as escutas telefônicas, concluiu que não havia absolutamente nada que pudesse incriminar os acusados, inclusive grampeando o te;lefone do próprio Abade.
O único diálogo aparentemente suspeito teria sido feito por Caveirinha, quando, ao falar com o colega Rodrigues e saber que havia sido decretada as prisões dos três PMs, teria lhe perguntado: “Só nós três que seremos presos? E os outros?”, o que não significaria, convenhamos, nada de mais diante dos fortes boatos da possível participação de Abade e de Edésio.
Até aí, ao que se saiba, nenhum crime fora até então detectado. As demais conversas, ainda segundo o relatório de inteligência da Polícia Civil, eram todas normais e dentro das atividades diárias dos investigados.
No mesmo sentido, segundo as escutas, tampouco Marcelo e João trocaram qualquer tipo de conversa sobre o envolvimento ou a pressão que supostamente vinham recebendo da parte dos policiais. Particularmente, nunca ouvi falar que dois comparsas tão ativos no mundo do crime, que não imaginavam estarem sendo gravados, não tivessem trocado conversas ou pelo menos mensagens de texto sobre os crimes que praticavam. Como bem se sabe, celular já há bom tempo entrega tudo.
Relatório das ERBs também inocentava os investigados
Outra importante informação, que certamente teria encerrado o caso se ela fosse considerada e investigada pela Polícia e o MP, foram os cruzamentos das ERBs, que teriam sido requisitados pela Polícia à todas as operadoras de celular.
De acordo com esse sistema, capaz de identificar e rastrear celulares, conhecidos como posição do aparelho em relação às bases de ERBs (Estação de Rádio Base) , usando torres de celular e redes sem fio para determinar a localização aproximada dos dispositivos telefônicos investigados, nenhum dos acusados, mesmo Marcelo e João tendo garantido ao juiz que os PMs, junto com Pequeno, mais Danilo e Junior, teriam executado os professores, feitos os devidos rastreamentos, nenhum dos principais suspeitos registrou qualquer proximidade com a Roça do Povo, sobretudo no dia e na hora que os crimes aconteceram. Ou seja, mais uma forte prova que os traficantes mentiam.

Por outro lado, o cruzamento das Estações de Rádio Base, feito pelas operadoras, também confirmou a impossibilidade dos acusados terem se reunido ou dirigido à Roça do Povo.
No mínimo, se qualquer resquício de verdade nos depoimentos de Marcelo e João existisse, muito provavelmente o cruzamento dos dados feitos pelas operadoras haveria de revelar. Ou não?
Importante registrar que, além da quebra dos sigilos telefônicos e dos relatórios das operadoras sobre as ERBs dos investigados, que inocentavam os acusados, havia uma outra escuta telefônica, realizada com ordem judicial, sobre os telefones dos traficantes Marcelo Caolho e João d’Ajuda, realizada nos 6 meses anteriores e até mesmo, em boa parte, posteriores às mortes de Álvaro e Elisney, e que, segundo o delegado Renato, em momento algum revelaram a existência de ligações entre os PMs e os dois traficantes/acusadores. Novamente, esse importante detalhe a Polícia e o MP nem quiseram saber ou considerar.
VEJA AQUI PARTE DO RELATO FEITO PELO DELEGADO RENATO EM 14/02/2025
Retratos falados nada parecidos
Em outro sentido, os próprios retratos falados confeccionados pela Polícia, tendo como base os dois primeiros depoimentos da mãe e do irmão de Álvaro, únicos presentes no local dos crimes, os quais diferem completamente das características dos acusados, foi também ignorado pelo delegado e pelos promotores. Nem mesmo a divulgação de tais retratos, que poderia ser decisiva para a elucidação dos crimes, foi tornado público, o que vai de encontro à todas as regras e procedimentos mais elementares que envolvem um processo criminal desta relevância.


Os retratos falados confeccionados pela Polícia, a partir das descrições da mãe e do irmão de Álvaro, são totalmente diferentes das feições e do porte físico dos acusados, tendo a própria dona Cida afirmado em juízo que não foram os PMs, que sequer tatuagem possuem, que teriam matado seu filho e Elisney.
Doutra sorte, como já explicado em capítulos anteriores, as principais testemunhas e os álibis dos acusados, que também poderiam servir para inocentá-los, foram completamente ignorados pela autoridade policial e pelos promotores. Pelo contrário, o delegado Renato, segundo ele, foi simplesmente impedido pelo delegado Evy de prestar o seu depoimento, sendo informado ao Juízo que ele teria sido transferido para uma cidade do agreste baiano, mais precisamente para Milagres, quando na verdade, no mesmo e dia e hora do seu depoimento, ele se encontrava almoçando na Barraca do Gaúcho com Evy, conforme testemunhado por algumas pessoas. Estranho, não?

O delegado Evy informou ao juiz da impossibilidade do delegado Renato Fernandes depor, sob a alegação de que ele teria sido transferido para o sertão baiano, todavia, segundo informações, no mesmo dia da audiência, Evy teria sido visto com Renato almoçando na Barraca do Gaúcho.
Por que e por quais motivos o delegado Evy e o MP impediram que o antigo delegado prestasse o seu depoimento ao juiz é mais uma das muitas perguntas que ficaram sem respostas neste caso. Vai vendo.
Uma das possibilidades, cuja versão não tenho por quê duvidar, segundo relatos de outros policiais civis e militares e que preferem não se identificar, seria que Evy, como delegado regional, ocupava um cargo político e que sobre ele recaíam fortes suspeitas de participação ou omissão acerca de diversas mortes praticadas em Eunápolis e região, por parte dele ou dos seus comandados - o que é meio que normal na atividade policial - além do seu possível envolvimento com o jogo do bicho, e que, caso ele não aceitasse as regras impostas pelo MP, em especial por Dioneles, ele poderia ser alvo de investigações que poderiam resultar no fim de sua carreira policial. Se essa tese tem fundamento ou não, não tenho como garantir 100% e nem posso afirmar, mas que isso acontece com relativa frequência na atividade policial, isso acontece. Para pensar.
Alguma dúvida sobre tal possibilidade ou será que estou inventando ou exercitando por demais a minha imaginação?
Também foram impedidos ou não foram intimados a prestar seus depoimentos o ex-prefeito Abade e os 9 vereadores que o acompanhavam, junto com Rodrigues, no dia em que os dois professores foram assassinados, o mesmo tendo se dado com os gastos realizados por Sandoval em seu cartão de crédito, os quais confIrmariam que ele se encontrava na cidade de Itabuna no dia e horário das mortes. Sem falar no próprio coronel Maurício Nunes, e que tinha como seu motorista Geraldo Caveirinha, o qual foi quem lhe passou a notícia do atentado na Roça do Povo.
Afora o importante fato de Rodrigues estar fazendo a segurança de Abade no dia e horário dos crimes, conforme presenciado por diversos edis, pouco antes das mortes, em uma reunião realizada em Vale Verde, conforme revelam e confirmam nos vídeos abaixos os vereadores Dilmo Santiago, Gilvan Florêncio e o pastor Erivaldo, o prefeito Abade já havia aceitado cumprir ao menos 95% das reivindicações que vinham sendo feitas pela APLB e o então presidente Álvaro Henrique, em acordo firmado e intermediado principalmente pelo ex-vereador Gilvan e que, como petista - ninguém é perfeito, né? rsrsrs -estava dando total apoio ao novo presidente, como forma de enfraquecer o poder político do ex-presidente Kel Portela, do PCB do B. Além disso, era do interesse do partido prestigiar o então secretário de Educação, Caetano Cupolo, velho companheiro petista na cidade e que, é claro, recebia o apoio do seu partido.
Veja abaixo a recente declaração do ex-secretário Caetano Cupolo e que confirma o acordo que estava sendo firmado justamente no dia das mortes dos dois professores.:
VÍDEO DE CAETANO CUPOLO
Significa dizer, caro leitor, que o prefeito e os vereadores, estando prestes a firmar o acordo com a APLB , não haveria o mínimo motivo para o possível crime de mando político. A uma, que Álvaro não estava denunciando nada de grave, a duas, que os pedidos da classe seriam atendidos quase que em sua totalidade, conforme revelam os vereadores. Assim posto, por que Edésio, ou seja lá quem fosse, teria interesse em mandar matar Álvaro? Percebam o óbvio. Será que só Evy, Dioneles e João Alves não sabiam ou não quiseram saber desta informação?
Aliás, nunca na história da classe dos professores em Porto Seguro os profissionais da Educação foram tão valorizados como no governo Abade, o que se deu através da reformulação do plano de carreira e de cargos e salários. Hoje , por exemplo, tem professor do Município que ganha até mais de R$ 20 mil reais por mês, enquanto um advogado, arquiteto ou engenheiro nomeado recebe menos de R$ 4 mil reais mensais, sendo que a responsabilidade destes profissionais, com toda vênia aos valorosos educadores, é infinitamente maior. Quem criou essa disparidade dentro da prefeitura foi o próprio Abade. A verdade é esta.
VEJA AQUI OS DEPOIMENTOS DE DILMO SANTIAGO E DO PASTOR ERIVALDO SOBRE O ACORDO FIRMADO AINDA NO DIA 17/09, DATA DOS CRIMES, QUE FOI FIRMADO ENTRE O PREFEITO ABADE, OS VEREADORES DA SUA BASE DE APOIO E A APLB.
DILMO
PASTOR ERIVALDO
GILVAN
Das aberrações finais do MP
Por outro lado, diante dos vários fatos e revelações surpreendentes que foram surgindo ao longo das investigações e das acusações, a cada dia mais convencido de que tudo não passava de uma trama diabólica destinada a incriminar os acusados sem qualquer tipo de prova, que não fosse apenas os depoimentos delirantes de dois traficantes e assassinos, responsáveis diretos pelas mortes de Pequeno e de Rodrigo Terceiro, o jornal publicou forte e impactante matéria, não lembro no momento ao certo se em 2009 ou 2010, mostrando que as acusações foram manipuladas e que elas não se sustentavam. Veja abaixo o conteúdo completo desta importante matéria, cujo texto foi salvo em nossos arquivos.

Acesse e veja aqui a matéria quase que completa publicada pelo Jornal, cuja a última página foi suprimida por conter conceitos e adjetivos contra o promotor Dioneles, com os quais não concordamos na atualidade.
Se isso não bastasse, enviamos dezenas de mensagens ao juiz Roberto, explicando nosso trabalho e rogando ao magistrado que não se deixasse levar pelas acusações fantasiosas e distorcidas do MP porque elas não tinham fundamento algum. Veja um dos principais e-mails por mim direcionado ao juiz.


Veja aqui as revelações que foram feitas ao juíz Roberto pelo Jornal à época dos fatos, e que são praticamente as mesmas deste livro escrito mais de 15 anos depois.
Na verdade, convenha-se, a esta altura das investigações, não havia mais o mínimo interesse e busca pela verdade. Como a farsa já estava praticamente projetada e feita, ninguém mais queria recuar. Não dava mais tempo, a desmoralização de vir a público reconhecer que as investigações e as acusações iniciais tinham se revelado um equívoco e um verdadeiro fracasso seria possivelmente, ao menos na imaginação de algumas das autoridades, o fim da reputação de carreiras que, aos olhos da sociedade, eram até então vistas como brilhantes e infalíveis.
O jeito era seguir em frente com a acusação, mesmo aos trancos e barrancos, e que se danasse a verdade e os acusados e suas famílias. O único problema para a Polícia e o MP era o tal Pasquinzinho, o Topa Tudo Por Dinheiro, e que continuava a enfrentar, sozinho e sem receber um real de quem quer que fosse, as fantasiosas acusações, estampando em letras garrafais a tese de farsa que envolvia o caso.
As revelações de Danilo Leite

Localizado em Belmonte, no primeiro grande furo de reportagem do Topa Tudo, Danilo Leite, acusado pelo MP como um dos responsáveis pelas mortes dos professores, junto com Júnior, Sandoval e Rodrigues - aliás, o que contraria totalmente a versão de Marcelo - na verdade nunca teve nada a ver com o caso. Ele apenas estava no Bar Brasileirinho quando presenciou, junto com Júnior, Marcelo determinar a Rodrigo Terceiro a execução de Pequeno, fornecendo-lhe inclusive a pistola e cocaína para praticar o assassinato.
Mesmo tendo sido acusado pelo MP como um dos executores, Danilo nunca foi preso ou respondeu pelas acusações em relação às mortes de Álvaro e Elisney. A fim de provar a sua inocência, o acusado fez questão de se deixar fotografar e filmar pela reportagem para que as imagens chegassem ao conhecimento de dona Cida e de Eric para ser ou não reconhecido pelos dois.
Danilo deu a sua versão, a qual foi confirmada pelas revelações de Junior, logo abaixo, fazendo inclusive questão de deixar se filmar, para que as imagens chegassem ao conhecimento da mãe e do irmão do professor Álvaro.
Agora, veja logo abaixo o depoimento do advogado criminalista Marcos Catelan, defensor de Danilo, que foi quem nos levou ao encontro do acusado na cidade de Belmonte, em 23/03/2010, para o encontro com o acusado, cuja versão foi recentemente confirmada por Catelan.
MARCOS CATELAN
As revelações de Júnior, primo de Marcelo, confirmam a versão de Danilo: Marcelo mandou matar Pequeno e depois seu algoz, Rodrigo Terceiro

Junior deixou bem claro em seu depoimento que Marcelo, seu primo, estava mentindo sobre os acusados e que na verdade ele que havia mandado matar Pequeno e Rodrigo Terceiro. Mesmo assim, Marcelo foi colocado em liberdade após um estranho acordo entre o delegado, o MP e o juiz.
Já em outro grande e bombástico furo de reportagem, o Topa Tudo localizou e também publicou matéria com Antonio Andrade dos Santos Júnior, primo de Marcelo Caô, também acusado pelo MP como um dos autores das mortes de Álvaro e Elisney, outro que nada teve a ver com a tragédia. Assim como Danilo, em depoimento prestado e confirmado por ele ao juiz André Strogenski, em Santa Cruz Cabrália, ele apenas estaria junto com seu primo Marcelo quando este determinou a execução de Pequeno, tendo sido obrigado a dar fuga para Rodrigo após o crime, sendo que quatro dias depois o próprio Marcelo ou seu correria João d´Ajuda matou - ou entregou Rodrigo - para este ser executado pelo pessoal do Mercado do Povo, já que o chefe traficante Buiú queria vingar a morte de Pequeno.
Ou seja, das duas, uma: ou Marcelo matava ou entregava Rodrigo ao pessoal de Buiú, ou Marcelo era quem iria morrer. Não deu outra, claro que Marcelo traiu e deu fim à vida do Rodrigo, a quem ele considerava como um irmão, evitando a sua própria morte e a prometida guerra entre as facções do Baianão e do Campinho, da qual Marcelo fazia parte. Se é que bandidos como Marcelo consideram alguém como irmão.
As revelações de Junior chamaram muito a atenção da nossa reportagem por que elas batiam exatamente com as informações de Danilo, sendo que a dupla se separou e fugiu para lugares diferentes logo depois da morte de Pequeno - com medo de serem acusados pela morte do ex-motorista - não mantendo mais contato entre si e nem tendo oportunidade de combinarem a mesma versão, vez que um estava em Belmonte e o outro no Espírito Santo.
Era o maior e mais claro sinal de que o Topa Tudo estava no caminho certo. Não havia mais dúvida, a farsa realmente existia. As denúncias do MP simplesmente não batiam com os fatos, aliás, não batiam com nada. Nunca se viu um festival tão imenso de acusações e de trapalhadas que visivelmente não se sustentavam. Um verdadeiro caos jurídico. Ou teratologia jurídica, como preferem os advogados criminalistas.
Veja os depoimentos dos advogados César Oliveira e Jarbas de Abreu sobre as mentiras de Marcelo Caô
Foi ouvido também por nossa reportagem o advogado César Oliveira, então defensor dos réus Sandoval, Rodrigues e Caveirinha, que nos falou sobre a expectativa da defesa acerca das acusações.
CÉSAR OLIVEIRA
Quem também foi ouvido foi o advogado Jarbas de Abreu e que, segundo ele, foi inpedido de ter acesso às acusações e aos presos João D'juda e Marcelo Caô, a quem o advogado conhece desde criança, e quem informa que o traficante Caô sempre se revelou bastante inteligente, pórem muito mentiroso.
JARBAS DE ABREU